UrgenteEstudo da USP revela que combinar musculação com aeróbico não reduz ganho de massa muscular

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São Paulo

Estudo da USP revela que combinar musculação com aeróbico não reduz ganho de massa muscular

Pesquisa da USP com 19 jovens sedentários mostra que o treino combinado de força e cárdio não compromete a hipertrofia, mas pode diminuir o ganho de força.

Pesquisadores da USP estudaram efeitos do treino combinado de força e aeróbico em jovens sedentários. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
24 de maio de 202613:31
Atualizado agora há pouco às 16:31

Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) trouxe novos esclarecimentos sobre a prática de atividades físicas. A pesquisa, publicada no Journal of Applied Physiology, indica que a combinação de treino de força com exercícios aeróbicos não prejudica o ganho de massa muscular, contrariando uma crença comum no meio fitness.

O experimento acompanhou 19 jovens sedentários, com idade média de 28 anos, ao longo de 16 semanas. Os participantes foram divididos em dois grupos: um realizou apenas musculação duas vezes por semana, enquanto o outro acrescentou quatro sessões de treino intervalado de alta intensidade (HIIT) à rotina de força.

Os resultados mostraram que o aumento de massa muscular foi equivalente nos dois grupos. Segundo Carlos Ugrinowitsch, professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP e coautor do artigo, a ideia de que o cárdio interferiria na síntese proteica relacionada à hipertrofia não se confirmou. “O estudo mostrou que o aumento muscular foi igual nos dois grupos”, afirmou.

No entanto, os pesquisadores observaram uma diferença no ganho de força. Os voluntários que fizeram apenas musculação tiveram um aumento de força maior do que aqueles que combinaram os treinos. Ugrinowitsch explica que isso pode estar relacionado a um fenômeno neuromuscular: o treino aeróbico pode causar fadiga na comunicação entre o cérebro e o músculo, reduzindo a capacidade de recrutamento das fibras durante esforços máximos.

Anteriormente, acreditava-se no chamado “efeito de interferência”, segundo o qual o treino aeróbico competiria com a musculação por estimular a produção de proteínas voltadas à biogênese mitocondrial, em detrimento da síntese proteica muscular. O estudo da USP, no entanto, demonstrou que essa interferência não ocorre na prática.

A pesquisa contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e utilizou biópsias musculares para monitorar as respostas moleculares ao longo do treinamento. Os resultados reforçam a importância de combinar diferentes modalidades de exercício para a saúde geral, sem comprometer os ganhos estéticos ou funcionais desejados.

Para quem busca melhorar o condicionamento físico, a mensagem é clara: é possível incluir atividades aeróbicas na rotina sem medo de perder massa muscular. O treino combinado, além de não atrapalhar a hipertrofia, traz benefícios cardiovasculares e metabólicos importantes.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/estudo-usp-combinar-treino-de-forca-cardio/

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