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Arujá

Advogado se entrega à polícia após acusação de intermediar acordo entre policiais e facção em SP

Ademilson Alves de Brito é acusado pelo MPSP de oferecer R$ 1 milhão a policiais civis para encerrar inquérito sobre integrantes de facção criminosa.

Segundo o MPSP, negócio registrado em nome da mãe e do padrasto servia para formalizar pagamentos aos PMs envolvidos no esquema ligado ao PCC. Arte Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
7 de outubro de 202619:25
Atualizado agora há pouco às 22:25

O advogado Ademilson Alves de Brito se entregou à polícia nesta quarta-feira (7) na delegacia de Arujá, na Região Metropolitana de São Paulo. Ele é acusado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) de corrupção ativa e passiva por supostamente intermediar um acordo entre um membro de facção criminosa e dois policiais civis.

Segundo as investigações, Ademilson teria oferecido R$ 1 milhão aos policiais para que interrompessem um inquérito que buscava identificar outros integrantes do grupo criminoso. A denúncia aponta que o objetivo era encerrar as apurações sem novos indiciamentos.

A acusação se baseia em uma videochamada gravada em 23 de maio de 2024, na qual o advogado teria discutido diretamente com os policiais sobre o valor, o encerramento do inquérito e o compromisso de não investigar mais ninguém da facção. Cerca de dois meses depois, em 23 de julho de 2024, o inquérito foi de fato encerrado sem novos indiciamentos, segundo a investigação.

O Ministério Público promoveu o arquivamento do caso por falta de provas, exatamente como teria sido combinado na gravação. A denúncia foi inicialmente rejeitada em primeira instância sob o argumento de falta de perícia prévia no vídeo e inépcia formal.

O MPSP recorreu da decisão, e a 5ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) acolheu o recurso. O relator do caso, desembargador Pinheiro Franco, determinou o recebimento da denúncia por corrupção ativa majorada, o restabelecimento da prisão preventiva de Ademilson e dos policiais envolvidos, além da derrubada do sigilo dos nomes dos réus.

Após tomar conhecimento do mandado de prisão expedido contra ele, Ademilson se apresentou à delegacia acompanhado de seu advogado. As autoridades locais confirmaram a prisão. A defesa do advogado optou por não comentar o caso. O espaço permanece aberto para manifestações.

O advogado é acusado de negociar diretamente com os policiais para que o inquérito fosse encerrado sem que outros nomes da facção fossem revelados. A investigação aponta que o acordo teria sido firmado durante a videochamada, quando teriam sido discutidos os detalhes da quantia e do compromisso de não investigar mais integrantes do grupo.

O caso segue em tramitação na Justiça de São Paulo, e os envolvidos respondem às acusações de corrupção ativa e passiva. A decisão do TJSP restabeleceu as prisões preventivas e determinou a publicidade dos nomes dos réus.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/advogado-que-teria-negociado-acordo-entre-policiais-e-membro-do-pcc-e-preso

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