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São Paulo

Fã-clubes de artistas pop se tornam força política nas eleições de 2026, aponta estudo

Pesquisa do Laboratório Cultpop analisou 6,5 mil publicações e identificou nove tendências que explicam a mobilização de fandoms durante a campanha presidencial.

Nove pontos para entender o impacto dos fã-clubes nas eleições de 2026. Fandoms de artistas como Beyoncé, BTS e Lady Gaga se mobilizaram nas redes e nas ruas durante a campanha presidencial de 2026
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202607:35
Atualizado agora há pouco às 10:35

A participação de fã-clubes de artistas como Beyoncé, BTS e Lady Gaga na campanha eleitoral de 2026 chamou a atenção de pesquisadores. O Laboratório Cultpop, dedicado a estudos sobre cultura pop, reuniu especialistas de oito universidades para analisar 6,5 mil publicações em diferentes plataformas e identificou nove tendências que ajudam a explicar como esses grupos se envolveram no debate político.

Segundo o levantamento, as eleições de 2026 foram as mais identitárias já realizadas no país, com o debate atravessado por reivindicações e pautas ligadas à cultura pop. Os fandoms, como são chamados os fã-clubes na internet, deixaram de lado temporariamente as notícias sobre seus ídolos para produzir conteúdo, organizar atos e divulgar informações de interesse público.

O movimento ganhou impulso após o primeiro turno, em 4 de outubro, quando um fã-clube da cantora Billie Eilish ofereceu apoio à campanha de Lula (PT). O gesto desencadeou uma articulação inédita entre diferentes comunidades. «Assim que vimos outros fã-clubes disponibilizando as redes para apoiar a campanha de Lula, fizemos o mesmo. Primeiro no Twitter, depois no Instagram. Também retomamos com mais força o Fandoms pelo Brasil, um projeto que já reunia diferentes comunidades de fãs em torno de causas que consideramos importantes», contou Rafaella Silveira, do portal Beyoncé Brasil.

A mobilização contribuiu para um dos primeiros grandes atos em apoio a Lula, realizado na Avenida Paulista em 11 de outubro. Organizada por associações estudantis, a manifestação contou com a divulgação dos fandoms. No trio elétrico, o então candidato reconheceu a participação dos grupos: «Fandoms do Brasil, obrigado pela iniciativa de vocês».

A articulação dos fã-clubes não se restringiu às redes sociais. Comunidades de fãs de música, séries e games adaptaram estratégias típicas dos fandoms — como produção de conteúdo, engajamento em massa e organização de eventos — para fins de mobilização política. O fenômeno levou referências da cultura pop para o centro do debate eleitoral.

O estudo do Laboratório Cultpop destaca que a influência desses grupos foi além do entretenimento. A capacidade de mobilização nas redes e nas ruas mostrou que os fandoms podem se configurar como atores relevantes em processos políticos, especialmente entre o público jovem.

A pesquisa também aponta que as eleições de 2026 foram marcadas por uma forte dimensão identitária, com os fã-clubes atuando como pontes entre pautas culturais e o debate político. O levantamento buscou mapear as diferentes formas de engajamento, desde a divulgação de informações até a participação em manifestações.

Para os pesquisadores, o fenômeno merece atenção pela forma como comunidades originalmente voltadas ao entretenimento se reorganizaram em torno de causas políticas. O caso dos fandoms nas eleições de 2026 deve ser estudado nos próximos anos para entender seus efeitos duradouros na participação política e na comunicação digital.

Procurados, representantes dos fã-clubes citados não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O Laboratório Cultpop informou que o estudo completo será divulgado em breve.

Fonte de referência: Entretenimento – Metrópoles — https://metropoles.com/entretenimento/nove-pontos-para-entender-o-impacto-dos-fa-clubes-nas-eleicoes-de-2026

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