A Justiça de São Paulo determinou que a polícia investigue o ex-companheiro da vereadora Malu Fernandes (PL), Júnior Moreno, por suspeita de perseguição e violência política de gênero. A decisão, assinada pelo juiz Heitor Moreira de Oliveira, do Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Foro de Mogi das Cruzes, foi divulgada nesta quarta-feira (22).
A parlamentar alega que Moreno usou um boletim de ocorrência antigo para prejudicar sua pré-candidatura a deputada estadual. O caso será anexado a um inquérito já em andamento que apura denúncias de violência política de gênero feitas por Malu Fernandes contra o ex-companheiro. Desde maio, ela possui uma medida protetiva contra ele.
De acordo com a denúncia, Moreno atualizou um boletim de ocorrência registrado em outubro de 2025 para incluir a vereadora como autora de um suposto dano ao apartamento onde moravam juntos em Mogi das Cruzes. O relacionamento do casal durou cerca de um ano.
Na primeira versão do BO, Moreno afirmou que encontrou a residência revirada e objetos destruídos. Em depoimento, disse que o segurança do condomínio viu uma mulher entrar com o rosto coberto e ficar cerca de 20 minutos no apartamento. Já na versão atualizada em maio, ele afirmou ter identificado a ex-companheira por imagens de câmeras de segurança.
Os advogados de Malu Fernandes sustentam que a atualização do BO ocorreu no mesmo mês em que Moreno foi informado sobre a medida protetiva, caracterizando retaliação. Em nota, a defesa da vereadora afirma que o prazo para dar prosseguimento à investigação teria expirado em março, tornando inválida a inclusão posterior.
“A inclusão ocorreu em maio deste ano, mesmo período em que o empresário foi informado sobre a medida cautelar contra ele. Logo, os advogados da vereadora sinalizam para eventual retaliação do acusado face à decisão da Justiça”, diz a nota.
A defesa da parlamentar também destaca que as informações do processo foram divulgadas no dia 16 de julho, mesma data em que ela lançava a pré-candidatura à deputada estadual. Malu Fernandes solicitou a ampliação das medidas protetivas contra Moreno e o sócio dele, Fernando Aparecido Hilário, mas não foi atendida.
Em nota, a defesa de Júnior Moreno afirmou que não existe qualquer decisão judicial reconhecendo descumprimento da medida protetiva ou divulgação indevida de informações. Segundo os advogados, o Ministério Público pediu o indeferimento dos pedidos de remoção das informações.
“Em relação aos fatos ocorridos na residência, existem imagens e vídeos que instruem a investigação e que serão analisados pelas autoridades competentes. Ressalta-se, ainda, que, na manifestação apresentada ao Juízo, a própria vereadora não negou o ingresso no imóvel, circunstância que também integra a apuração dos fatos”, diz a nota da defesa de Moreno.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/justica-investigacao-ex-vereadora-violencia-politica


