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Mogi das Cruzes

Afastada educadora que elogiou ditadores em reunião com diretores

Secretaria de Educação de SP determinou afastamento de Roselaine Batalha Silva após sugestão de leitura de biografias de Hitler e Mussolini.

Fotografia colorida mostrando sala de aulaFoto: Taylor Flowe/Unsplash
Raphael Nogueira Felix
26 de agosto de 202609:30
Atualizado agora há pouco às 12:30

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc) determinou o afastamento de uma educadora que atuava em uma unidade regional em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A medida foi tomada após a profissional sugerir, durante uma reunião on-line com diretores de escolas, a leitura das biografias de Adolf Hitler e Benito Mussolini, líderes responsáveis por regimes que causaram a morte de milhões de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial.

A educadora Roselaine Batalha Silva teria classificado as obras como «estimulantes» durante o encontro virtual. A informação foi divulgada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), que também informou ter ingressado com uma representação no Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Na representação, a entidade pede que sejam tomadas providências em relação ao que classifica como «palavras elogiosas a ditadores fascistas e extremistas». A ação foi motivada por uma denúncia feita pela deputada estadual Professora Bebel (PT) nas redes sociais.

A Seduc confirmou o afastamento e informou que instaurou uma apuração administrativa para verificar os fatos e as circunstâncias relacionados às declarações da educadora. Em nota, a pasta afirmou que não compactua com manifestações que contrariem os princípios e valores que orientam a educação pública paulista.

A pasta reforçou que a declaração da profissional não representa, em hipótese alguma, o posicionamento da Secretaria. O caso gerou repercussão entre educadores e autoridades, que destacam a importância de se preservar o ambiente escolar de qualquer tipo de apologia a regimes autoritários.

A Apeoesp, por sua vez, ressaltou que a atitude da educadora é grave e que a representação ao MPSP busca responsabilização. O sindicato também defende que episódios como esse não podem ser tratados como meras opiniões, mas como violação dos princípios democráticos que regem a educação.

A Secretaria de Educação não divulgou detalhes sobre o andamento do processo administrativo, mas garantiu que as medidas cabíveis serão tomadas após a conclusão das investigações. Enquanto isso, a educadora permanece afastada de suas funções.

O caso também reacendeu o debate sobre a necessidade de formação continuada de professores e gestores para lidar com temas sensíveis da história, como o ideologia extremista e o fascismo, de forma crítica e contextualizada.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a sugestão de leitura de obras sobre figuras históricas, quando feita sem o devido enquadramento pedagógico, pode ser interpretada como apologia a ideias totalitárias. A orientação é que escolas e redes de ensino promovam discussões que evidenciem os crimes cometidos por esses regimes e o perigo do revisionismo histórico.

A Seduc informou que acompanha o caso e que está à disposição para esclarecimentos adicionais. A reportagem tenta contato com a educadora para comentar o assunto, mas até o momento não obteve resposta.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/educadora-afastada-apos-recomendar-biografias-hitler-mussolini

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