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Eleições em Israel terminam sem maioria e forçam negociações para formar coalizão

Nenhum bloco alcançou as 61 cadeiras necessárias no Parlamento; Netanyahu e oposição disputam apoio dos partidos árabe-israelenses, que ganharam força.

Israel encerra eleição sem maioria e abre disputa por novo governoFoto: Otavio Augusto/Arte Metrópoles
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202607:15
Atualizado agora há pouco às 10:15

A apuração final das eleições parlamentares de Israel, divulgada na quinta-feira (29/10), confirmou que nenhum dos principais blocos políticos conseguiu a maioria de 61 cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense. O resultado impõe semanas de negociações e abre um período de incerteza sobre quem comandará o país.

O bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu obteve 53 dos 120 assentos, enquanto o grupo de oposição liderado pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot ficou com 48. Os partidos que representam a minoria árabe-israelense conquistaram 19 cadeiras, quatro a mais do que em 2022, e podem ser decisivos na formação do próximo governo.

Em Israel, a população não vota diretamente no chefe de governo. Os eleitores escolhem listas partidárias, e o comando do país fica com o líder que conseguir reunir apoio suficiente no Parlamento para formar uma coalizão. Tanto Netanyahu, que governou por mais de 19 anos em mandatos intercalados, quanto Eisenkot declararam que pretendem tentar montar um governo.

O avanço dos partidos árabes ampliou o leque de possibilidades, mas também expôs resistências internas na oposição. O líder da coalizão árabe de esquerda Joint List, Yousef Jabareen, defendeu uma aproximação com os partidos de oposição para encerrar o governo Netanyahu. Segundo ele, a eleição representa uma oportunidade de construir uma nova liderança baseada na parceria entre judeus e árabes.

O principal obstáculo é a recusa de parte da oposição em se aliar aos parlamentares árabes. O grupo liderado por Eisenkot reúne políticos de diferentes correntes ideológicas, incluindo representantes da direita que rejeitam qualquer composição com essas siglas. O líder do principal partido de esquerda israelense, Yair Golan, foi um dos primeiros oposicionistas a defender publicamente a união.

Centenas de israelenses organizaram protestos para pressionar os partidos a negociar com a minoria árabe. Outra possibilidade seria a formação de um governo minoritário de Eisenkot, sustentado pelos parlamentares árabes sem que eles participassem formalmente da coalizão. A alternativa, no entanto, é considerada politicamente frágil.

Apesar de ter perdido a maioria parlamentar, Netanyahu não deixa o cargo imediatamente. Até que um novo governo seja formado e receba o voto de confiança do Parlamento, ele continuará como primeiro-ministro interino. A permanência permite que o atual governo mantenha a administração do país durante as negociações, mas decisões importantes podem ficar limitadas.

O impasse político ocorre em um momento de atenção internacional voltada para a região. A definição do próximo primeiro-ministro dependerá da capacidade dos partidos de construir alianças em um cenário fragmentado, sem composição consolidada até o momento.

Fonte de referência: Mundo – Metrópoles — https://metropoles.com/mundo/israel-encerra-eleicao-sem-maioria-e-abre-disputa-por-novo-governo

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