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Brasília

Rubio nega envolvimento direto dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

Secretário de Estado americano afirmou que Washington não participou dos arranjos para a viagem do senador, que deixou o país em 27 de outubro e chegou a Miami no dia seguinte.

Imagem colorida mostra Marco Rubio, secretário de Estado dos EUAFoto: Kevin Dietsch/Getty Images
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202607:33
Atualizado agora há pouco às 10:33

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou neste sábado (31/10) que o governo norte-americano não teve participação direta nos preparativos da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil. A afirmação foi feita durante coletiva de imprensa em Atlanta, nos Estados Unidos, à margem do encontro de ministros das Relações Exteriores do G20.

«Não estávamos envolvidos em nenhum dos arranjos para ele sair do país. Pelo menos o governo dos EUA não estava envolvido diretamente em qualquer um dos movimentos que foram feitos», disse Rubio. Segundo o secretário, a única medida adotada pelo presidente Donald Trump foi autorizar a entrada do parlamentar em território americano caso ele se apresentasse a um posto de imigração.

A declaração surge após a publicação de uma reportagem do jornal argentino Clarín, que apontou uma suposta operação com agentes norte-americanos para auxiliar a saída do senador e de sua família do Brasil. O texto menciona o uso de veículos e de ao menos três jatos particulares mobilizados para viabilizar a viagem, com rotas alternativas caso o voo previsto não pudesse decolar. Rubio, no entanto, negou qualquer envolvimento direto do governo dos EUA.

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil em 27 de outubro, apesar de uma determinação judicial do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o proibia de viajar para o exterior. O senador cruzou a fronteira terrestre com a Argentina, por Foz do Iguaçu (PR), e embarcou em um avião particular em Puerto Iguazú. Após uma escala em Guayaquil, no Equador, chegou a Miami, nos Estados Unidos, na manhã de 28 de outubro.

Conforme relatos, o parlamentar utilizou o passaporte diplomático brasileiro para ingressar nos Estados Unidos, embora o documento tivesse sido cancelado por decisão do STF. Flávio também possui passaporte italiano. A Polícia Federal informou, em nota oficial, que não localizou registro de saída do senador pelos postos brasileiros de controle migratório.

A corporação apura as circunstâncias do descumprimento da decisão judicial, mas esclareceu que a proibição de viajar não caracteriza, por si só, a condição de foragido. O caso envolve um senador que deixou o país sem autorização judicial, o que levanta questionamentos sobre a fiscalização de fronteiras e o uso de documentos diplomáticos.

A viagem ocorre em um contexto de tensão política no Brasil, após as eleições presidenciais. O senador, que apoiou o candidato derrotado, não se manifestou publicamente sobre as razões da saída. A reportagem do Clarín, que motivou a resposta de Rubio, detalha uma suposta articulação com autoridades estrangeiras, o que o governo dos EUA nega.

A oposição no Brasil cobra explicações sobre o episódio, enquanto aliados do governo defendem a apuração rigorosa dos fatos. O STF deve analisar o descumprimento da medida cautelar, que pode resultar em consequências jurídicas para o senador. A PF segue investigando o caso.

O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre as declarações de Rubio. A expectativa é de que o tema seja discutido em instâncias diplomáticas, uma vez que envolve a relação entre Brasil e Estados Unidos. A reportagem procurou o senador e sua assessoria, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Fonte de referência: Mundo – Metrópoles — https://metropoles.com/mundo/rubio-sobre-fuga-de-flavio-governo-dos-eua-nao-se-envolveu-diretamente

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