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Síria avalia adesão a aliança militar de Meca, diz chanceler Asaad al-Shaibani

Ministro das Relações Exteriores da Síria afirma que discussões sobre entrada no Acordo Conjunto de Defesa de Meca estão em curso; coalizão é formada por Arábia Saudita, Paquistão e Turquia.

Imagem colorida mostra o chanceler da SíriaFoto: Hisam Hac Omer/Anadolu via Getty Images
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202607:34
Atualizado agora há pouco às 13:53

O ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al-Shaibani, declarou neste sábado (31/10) que o país avalia aderir ao Acordo Conjunto de Defesa de Meca, aliança militar que reúne Arábia Saudita, Paquistão e Turquia. A informação foi divulgada durante uma conferência realizada no Bahrein.

«Estão em curso discussões para avaliar a entrada da Síria na aliança de Meca», afirmou o chanceler sírio no evento. Caso a adesão se concretize, a Síria se tornaria o quarto membro do bloco, conhecido informalmente como «Otan islâmica».

O acordo foi criado em agosto e estabelece compromisso de ação militar conjunta caso um dos países-membros seja atacado, em modelo semelhante ao da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A aliança foi assinada após o recrudescimento das hostilidades entre a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen.

Em julho deste ano, a trégua firmada em 2022 com mediação da Organização das Nações Unidas (ONU) foi rompida. Os confrontos voltaram depois que os houthis, que controlam partes do Iêmen, acusaram forças sauditas de bombardear o Aeroporto Internacional de Sanaa.

Em resposta, o grupo lançou ataques contra território saudita e anunciou um bloqueio a embarcações do país no Estreito de Bab el-Mandeb. Desde então, a situação escalou, com ataques aéreos sauditas contra áreas controladas pelos houthis e bombardeios do grupo a instalações energéticas e estratégicas da Arábia Saudita.

Uma eventual entrada da Síria na coalizão representaria mais um marco na mudança de política externa do país desde a queda de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024. Após o início da guerra civil em 2011, Turquia e Arábia Saudita se opuseram ao governo do ex-presidente, hoje exilado na Rússia.

Há relatos de que o governo turco teria participado ativamente do financiamento de grupos que posteriormente derrubaram Assad. No entanto, após a ofensiva de organizações da oposição liderada pelo atual mandatário Ahmed al-Sharaa, as duas potências regionais se reaproximaram de Damasco.

Esse movimento foi acompanhado por boa parte da comunidade internacional, apesar do passado do novo presidente sírio ligado ao jihadismo, incluindo conexões com a Al-Qaeda e o Estado Islâmico (ISIS). Nos últimos anos, al-Sharaa adotou uma postura pragmática, com promessas de inclusão e unificação da Síria.

A confirmação do chanceler sírio ocorre em um momento de reconfiguração das alianças no Oriente Médio. A Síria busca se reposicionar diplomaticamente após anos de isolamento, e a possível adesão à aliança de Meca sinaliza uma aproximação com países que antes apoiavam grupos opositores ao regime de Assad.

Fonte de referência: Mundo – Metrópoles — https://metropoles.com/mundo/siria-pode-ser-o-quarto-pais-a-entrar-na-otan-islamica

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