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Eusébio

Trabalhadora resgatada de escravidão doméstica no Ceará segue na casa dos patrões temporariamente

Uma mulher de 62 anos, resgatada após 55 anos de trabalho sem salário em condomínio de luxo em Eusébio, permanecerá provisoriamente na residência dos empregadores para reinserção social, segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho.

Trabalhadora de 62 anos, resgatada após 55 anos de trabalho escravo em condomínio de luxo no Ceará, permanece temporariamente na casa dos patrões para reinserção socialFoto: O Segredo: Notícias, Relacionamentos, Espiritualidade e Bem-Estar
Raphael Nogueira Felix
7 de julho de 202617:28
Atualizado agora há pouco às 20:28

Uma trabalhadora doméstica de 62 anos, resgatada de condições análogas à escravidão em um condomínio de luxo em Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza, deverá continuar morando temporariamente na casa dos empregadores. A informação foi confirmada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT), que acompanha o caso.

A permanência provisória foi definida para permitir que a vítima se reinsira gradualmente no convívio social e retome contato com familiares. Apesar de continuar na residência, a mulher foi afastada das atividades laborais. A decisão, segundo a AFT, visa evitar que uma saída abrupta agrave sua vulnerabilidade.

A vítima servia à mesma família desde os sete anos de idade, sem receber salário mensal. De acordo com a AFT, a empregadora declarou que a menina foi entregue pela própria mãe. A identidade dos empregadores não foi divulgada, mas eles assinaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT).

Entre as obrigações assumidas estão a regularização dos recolhimentos previdenciários do período reconhecido, o pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias e a aquisição de um imóvel residencial para a trabalhadora. Além disso, os empregadores devem iniciar imediatamente o pagamento de salário e indenização.

A AFT esclareceu que a permanência temporária na residência não descaracteriza a situação de exploração constatada na fiscalização. “A prioridade é preservar a integridade física, emocional e a autonomia da vítima”, afirmou o órgão em nota.

Os auditores concluíram que a mulher passou mais de 50 anos submetida a uma relação de trabalho sem remuneração, dependência econômica, privação de oportunidades educacionais e permanência contínua no mesmo núcleo familiar desde a infância. A fiscalização classificou a situação como “grave violação à dignidade humana”.

Segundo a AFT, a trabalhadora não tinha vida pessoal: não saía sozinha de casa, não sabe ler nem escrever, não possui conta bancária e passava a maior parte do dia dedicada aos afazeres domésticos. A auditora-fiscal Maria Neuzeli Arantes, que participou do resgate, afirmou que a doméstica nunca namorou e não tem amizades no condomínio.

“Ela não sabe se locomover na cidade, tem medo da violência lá fora. Ela se sentia ‘paga’ pelos trabalhos porque recebia roupa, comida e moradia”, disse Neuzeli. A AFT informou que a mulher receberá escolarização e apoio psicossocial para se adaptar ao “mundo externo”, e a previsão é que seja retirada da casa ainda este ano.

O caso foi descoberto após denúncia anônima ao Disque 100, canal do Governo Federal para violações de direitos humanos. A AFT e o Centro de Referência em Direitos Humanos da Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (CRDH/Sedih) continuam acompanhando a trabalhadora na construção de alternativas para sua autonomia.

Fonte de referência: O Segredo: Notícias, Relacionamentos, Espiritualidade e Bem-Estar — https://osegredo.com.br/noticias/domestica-resgatada-trabalho-escravidao

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