Dezoito anos após a morte de Isabella Nardoni, a situação jurídica de Anna Carolina Jatobá volta a ser alvo de questionamentos na Justiça de São Paulo. Um pedido protocolado nesta semana solicita a reavaliação da progressão ao regime aberto concedida à condenada, que cumpre pena em liberdade desde 2023.
O requerimento foi apresentado pelo ativista Agripino Magalhães, presidente da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+, à 1ª Vara das Execuções Criminais de Taubaté. O documento pede a abertura de um procedimento para apurar a legalidade do benefício e, caso sejam constatadas irregularidades, a revogação da progressão.
A petição anexa documentos obtidos pela coluna Fábia Oliveira, do Metrópoles, que reúnem alegações sobre o período em que Jatobá esteve na Penitenciária Feminina de Tremembé. As informações foram apresentadas pelo advogado Francisco Angelo Carbone Sobrinho, que questiona a condução da execução da pena.
Um dos pontos centrais é a suposta proximidade entre Antônio Nardoni, avô da vítima, e a direção da unidade prisional. Segundo o documento, essa relação teria favorecido a concessão de benefícios considerados irregulares à condenada.
Entre as alegações, destaca-se o depoimento de uma agente penitenciária identificada como Elisa, que afirmou ter convivido com Jatobá na prisão. Ela relatou que a detenta teria recebido um colchão ortopédico de alto valor para uso na cela.
A testemunha também declarou que Jatobá ocupou uma posição de liderança dentro da penitenciária, o que teria permitido a obtenção de remição de pena por trabalho em condições diferenciadas em relação às demais presas. A petição sustenta que esse procedimento pode ter sido influenciado por irregularidades e informações não condizentes com a realidade.
O requerimento solicita ainda a quebra de sigilo bancário e a análise de movimentações financeiras envolvendo Antônio Nardoni, empresas supostamente ligadas a ele, a direção da penitenciária e outros servidores. A tese apresentada é de que eventuais benefícios concedidos a Jatobá teriam como objetivo evitar que ela prestasse declarações que pudessem comprometer o sogro.
O caso segue sob análise da Justiça de Taubaté, que decidirá sobre a abertura do procedimento de apuração. A defesa de Anna Carolina Jatobá ainda não se manifestou publicamente sobre as novas alegações.
Fonte de referência: O Segredo: Notícias, Relacionamentos, Espiritualidade e Bem-Estar — https://osegredo.com.br/noticias/anna-carolina-jatoba-carcere-privado


