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Nova Aliança

Astrônomo amador do interior paulista registra nuvem cósmica onde açúcar foi descoberto

Jefferson Mazzoni, farmacêutico e astrônomo amador de Nova Aliança, fotografou a região da Via Láctea onde cientistas encontraram a molécula de eritrulose, um tipo de açúcar, a 27 mil anos-luz da Terra. A descoberta foi publicada na Nature Astronomy.

Região da Via Láctea fotografada pelo astrônomo amador Jefferson Mazzoni, onde cientistas descobriram a molécula de eritrulose, um tipo de açúcar, a 27 mil anos-luz da TerraFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
17 de julho de 202614:27
Atualizado agora há pouco às 17:27

O farmacêutico e astrônomo amador Jefferson Mazzoni, que mora em Nova Aliança, no interior de São Paulo, conseguiu registrar a região da Via Láctea onde uma equipe internacional de cientistas identificou, pela primeira vez, um tipo de açúcar chamado eritrulose. O feito foi divulgado na segunda-feira (13) em um artigo na revista científica Nature Astronomy.

A descoberta do açúcar no espaço ocorreu em uma nuvem cósmica localizada no centro da galáxia, a aproximadamente 27 mil anos-luz da Terra. A pesquisa foi liderada pela astrofísica espanhola Izaskun Jiménez-Serra e revelou a presença da molécula de eritrulose, um carboidrato simples que, na Terra, está associado a processos biológicos.

Jefferson, que já havia fotografado o centro da Via Láctea em outras ocasiões, decidiu fazer novos registros após saber do estudo. Ele utilizou telescópios instalados em Nova Aliança, na região metropolitana de São José do Rio Preto. "Eu já tinha fotografado várias vezes o centro da Via Láctea", contou ele ao Metrópoles, destacando a emoção de capturar a mesma região onde a molécula foi detectada.

O estudo aponta que o açúcar interestelar pode ter se formado a partir de poeira cósmica, em um processo químico que ocorre no meio interestelar. Esse ambiente já foi responsável pela detecção de mais de 340 moléculas diferentes, funcionando como uma verdadeira fábrica química no espaço.

Segundo os pesquisadores, o principal desafio para encontrar açúcares no espaço era a falta de dados de laboratório sobre o comportamento dessas moléculas em fase gasosa, já que são frágeis. A eritrulose, no entanto, foi encontrada em abundância, o que contraria o padrão observado em outras moléculas maiores, que costumam ser mais raras.

A descoberta abre novas perspectivas para o estudo da origem da vida na Terra, já que açúcares são componentes essenciais para a formação de moléculas orgânicas complexas. Astrônomos de todo o mundo agora buscam compreender como essas substâncias se formam e se espalham pelo universo.

Jefferson Mazzoni é um dos muitos astrônomos amadores que contribuem para a ciência, registrando fenômenos celestes com equipamentos caseiros. Seu trabalho ajuda a popularizar a astronomia e a aproximar o público das descobertas científicas.

Para quem se interessa pelo tema, a região fotografada por Jefferson pode ser observada com telescópios de médio porte em noites de céu limpo, especialmente durante o inverno, quando o centro da Via Láctea fica mais visível no hemisfério sul.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/astronomo-interior-sp-acucar-espaco

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