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Sao Paulo

Boulos e Tarcísio trocam acusações sobre aumento do ICMS do diesel aprovado pelo Confaz

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência e governador de São Paulo divergem sobre responsabilidade pelo reajuste do imposto estadual sobre combustíveis, que entra em vigor em 2027.

Pablo Jacob/Governo do Estado de São Paulo e DANILO M. YOSHIOKA/METRÓPOLES
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202621:00
Atualizado agora há pouco às 00:00

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSol), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), protagonizaram neste domingo (1º) uma troca de acusações sobre o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o diesel. A decisão que elevou a alíquota foi tomada em reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) no último dia 27.

O reajuste do tributo foi aprovado pelos estados e pelo Distrito Federal e passa a valer a partir de 1º de fevereiro de 2027. A medida abrange não apenas o diesel, mas também a gasolina e o gás de cozinha, conforme deliberação do colegiado que reúne os secretários de Fazenda das 27 unidades da federação.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Boulos criticou a decisão e afirmou que o encarecimento do combustível afetará diretamente os caminhoneiros e, por consequência, o preço dos alimentos nos supermercados, já que o transporte de mercadorias no país é majoritariamente rodoviário. O ministro argumentou que o reajuste contraria o discurso de campanha de setores que prometiam redução de impostos.

«Passadas as eleições, as máscaras caem, né? Vocês viram que os bolsonaristas passaram a eleição inteira dizendo: ‘Ah, a esquerda aumenta imposto, a gente quer diminuir imposto’. Olha o que está acontecendo agora com o diesel», declarou Boulos. Ele também cobrou diretamente o governador: «Governador Tarcísio, faça a sua parte, ajude o povo brasileiro. Não dá pra ter um discurso na eleição e a prática é ser outra, né Tarcísio?».

Após a publicação, o Palácio dos Bandeirantes divulgou nota classificando como «lamentável» a declaração do ministro. «Divergências não justificam distorcer os fatos para atacar adversários», afirmou o governo paulista.

No texto, a equipe de Tarcísio sustentou que o reajuste foi definido no âmbito do Confaz, colegiado vinculado ao Ministério da Fazenda, e que a ratificação dos convênios ocorreu por unanimidade, incluindo estados governados pelo PT. A nota destacou que a cobrança sobre combustíveis segue a mesma regra nacional em São Paulo, no Piauí, no Ceará e na Bahia, entre outras unidades.

Boulos voltou às redes sociais para rebater a manifestação do governo estadual. «Isso não muda nada em relação à incoerência de Tarcísio com seu discurso de campanha. Passou meses atacando Lula a respeito de impostos. E três dias depois da eleição, se posicionou a favor do aumento do ICMS no Confaz», escreveu o ministro em publicação na plataforma X.

O episódio evidencia o embate político em torno da política tributária sobre combustíveis, tema que afeta diretamente a inflação e o custo de vida da população. A decisão do Confaz, de caráter nacional, uniformiza a cobrança do ICMS entre os estados, mas não impede disputas sobre a responsabilidade política pelo aumento.

O reajuste aprovado em outubro somente produzirá efeitos em fevereiro de 2027, o que mantém o debate aberto até lá. Procurados, representantes do governo de São Paulo e do ministro não informaram se haverá novos pronunciamentos sobre o assunto.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/boulos-e-tarcisio-divergem-sobre-aumento-do-icms-do-diesel-lamentavel

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