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Sao Paulo

Justiça barra leilão de imóvel de empresário apontado como elo entre PCC e máfia italiana

Decisão da Justiça Federal de Curitiba suspendeu a venda de apartamento de luxo em São Paulo ligado a Willian Barile Agati, investigado por ligação com o crime organizado; defesa nega envolvimento.

Arte gráfica com homem branco, careca, sem barba e camiseta branca, a esquerda, e navio cheio de contêineres em alto mar, a direita. Concierge do PCC. Gui Primola/Arte/Metrópoles
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202607:10
Atualizado agora há pouco às 10:10

A Justiça Federal de Curitiba suspendeu o leilão de um apartamento de alto padrão no bairro de Indianópolis, zona sul de São Paulo, vinculado ao empresário Willian Barile Agati. A decisão, tomada em 27 de setembro, atendeu a um pedido de reconsideração da defesa, que alegou possíveis prejuízos financeiros com a alienação do imóvel.

Agati é apontado pela Polícia Federal como uma espécie de intermediário entre lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia italiana 'Ndrangheta, além de outros compradores no exterior, para o envio de cocaína à Europa. A defesa do empresário nega qualquer relação dele com o crime organizado.

O imóvel, localizado no Edifício Saint Barthelemy, foi alvo de sequestro no âmbito da Operação Mafiusi, deflagrada em outubro do ano passado. Unidades no mesmo prédio são avaliadas entre R$ 3 milhões e R$ 6 milhões, segundo estimativas do mercado imobiliário.

De acordo com a investigação, Agati foi indiciado em fevereiro do ano passado por gerenciar uma rede de tráfico internacional. A PF o descreve como alguém que atendia a demandas variadas de integrantes do esquema, o que lhe rendeu o apelido de «Concierge». Entre as solicitações estariam logística para o narcotráfico, lavagem de dinheiro e fornecimento de aviões, veículos, imóveis e artigos de luxo.

Em representação pela prisão do empresário, os agentes afirmaram que a escolha dele para a função se deu pela «imagem de empresário bem-sucedido», que justificaria um estilo de vida luxuoso e facilitaria a infiltração na alta sociedade. A PF também apontou movimentações financeiras de cerca de R$ 2 bilhões feitas por ele e suas empresas entre 2017 e 2024, com suspeita de origem no tráfico de cocaína.

Segundo a corporação, Agati operava com o auxílio de empresas de fachada e é apontado como controlador de diversas delas. Ele também seria conhecido por codinomes como «Senna» e «Boxeador».

O advogado Eduardo Maurício, que representa o empresário, contesta a integridade das mensagens do aplicativo Sky ECC usadas na investigação e reafirma que seu cliente não tem vínculos com organizações criminosas. A defesa sustenta que o leilão do imóvel traria prejuízos e que a suspensão foi necessária para preservar o patrimônio até o julgamento definitivo.

A decisão que barrou o leilão ocorre em meio ao avanço das apurações sobre a atuação de brasileiros no esquema de exportação de drogas para a Europa. O caso segue em tramitação na Justiça Federal, sem prazo para conclusão.

Procurada, a Polícia Federal não se manifestou sobre a suspensão do leilão. O Metrópoles tentou contato com a defesa de Agati para novos esclarecimentos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/quem-e-o-concierge-do-pcc-beneficiado-por-decisao-que-barrou-leilao

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