A atriz Bruna Mascarenhas, conhecida pelo papel de Ritinha na série Sintonia, da Netflix, é a criadora do projeto Do Processo à Tela, que busca aproximar o cinema brasileiro de jovens estudantes de escolas públicas de São Paulo. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), promove sessões de filmes nacionais seguidas de conversas sobre os temas abordados nas obras.
O projeto leva o audiovisual para dentro das salas de aula, com exibições de longas e curtas-metragens e mediação sobre as questões tratadas nas produções. A proposta também apresenta aos alunos as diversas profissões que compõem o setor cinematográfico, ampliando o contato dos jovens com o universo do cinema.
Em entrevista ao Metrópoles, Bruna contou que a ideia surgiu a partir dos retornos que recebeu por causa de sua personagem na série. Segundo a atriz, o papel de Ritinha, que ingressa na faculdade de Direito, inspirou telespectadores a continuar os estudos. «Quando a Ritinha entrou pra faculdade de Direito, eu encontrei pessoas que me paravam na rua e me falavam que iam parar de estudar e resolveram continuar», relatou.
A partir desses relatos, Mascarenhas decidiu que poderia gerar impacto social para além da atuação. «Eu quero poder entrar dentro das escolas municipais, porque, se eu acredito que o cinema é transformação, essa transformação não pode vir na fase adulta. Ela tem que vir desde cedo», afirmou.
A atriz explicou que o projeto procura trabalhar os temas dos filmes de forma lúdica, permitindo que os estudantes vivenciem a experiência do audiovisual. Ela destacou que a iniciativa não tem a pretensão de ensinar, mas de estabelecer uma troca com os alunos.
«Como artista, eu não quero só falar. Eu quero ser escutada, mas eu também quero ouvir. Eu preciso escutar. Então, é um lugar de aprendizado mútuo, porque eles aprendem, mas eu também aprendo. Eu não estou ali para ensinar ninguém a nada. Eu estou ali pra ser uma mediadora nesse debate e fomentar as minhas ideias», declarou.
O Do Processo à Tela integra universidade, cinema e escola pública em uma experiência prática de exibição e formação audiovisual. Os estudantes da Faap participam da pesquisa, curadoria, produção e realização das sessões, o que proporciona aos futuros profissionais contato direto com o público escolar.
O último encontro do projeto ocorreu em 29 de outubro, segundo a reportagem. A iniciativa é uma das ações que buscam democratizar o acesso ao cinema nacional e estimular o interesse de jovens pela produção audiovisual brasileira.
Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/atriz-da-netflix-leva-cinema-brasileiro-para-escolas-publicas-de-sao-paulo
