Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, trabalhadores informais, ambulantes e entregadores da cidade de São Paulo expressam expectativas por maior estabilidade, reconhecimento e garantias mínimas para suas atividades. A reportagem ouviu relatos ao longo da semana sobre o que esses profissionais esperam do governo federal nos próximos quatro anos.
Muitos desses trabalhadores vivem à margem da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e buscam alternativas para garantir renda em meio a jornadas extensas e falta de proteção social. A realidade de quem atua nas ruas paulistanas inclui a ausência de benefícios como férias remuneradas, licença médica e aposentadoria.
A ambulante Luana Gomes, de 32 anos, que há 12 anos vende alimentos na Vila Clementino, zona sul da capital, destaca a liberdade como principal vantagem de ser autônoma. «Liberdade, a melhor coisa. Quando é CLT, você não tem a mesma liberdade do que ao trabalhar por conta», afirma. Ela, que já teve registro em padaria e carrega no braço a marca de uma queimadura, reconhece que a rotina de 12 horas diárias não é fácil, mas persiste.
Com o Termo de Permissão de Uso (TPU), obtido por meio do programa de regularização da Prefeitura de São Paulo, Luana conseguiu deixar para trás o receio de abordagens de fiscalização e da Guarda Civil Metropolitana. Ainda assim, sonha com mais estabilidade: «Gostaria de ter um espaço para montar um quiosque, como na praia, no calçadão. Já pensou ter a oportunidade de ter um quiosque?», indaga.
O motoboy J., que preferiu não ter o nome completo divulgado, relata que a principal demanda da categoria é o reconhecimento da atividade como profissão. Ele conta que já sofreu acidentes e não teve qualquer amparo. A falta de proteção social é uma queixa recorrente entre entregadores e motoristas de aplicativo, que muitas vezes arcam com custos de manutenção, combustível e equipamentos de segurança sem qualquer subsídio.
Para o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, o governo precisa se adaptar às novas formas de trabalho e buscar regulamentações que ampliem direitos para esses segmentos. Ele avalia que a fala de Lula na Avenida Paulista, prometendo maior participação popular, soou como um reconhecimento de que a campanha não havia compreendido plenamente as transformações no mundo do trabalho.
Ainda segundo o especialista, a articulação entre o Executivo federal e as prefeituras será fundamental para viabilizar políticas que atendam a esses trabalhadores, como a criação de espaços regulamentados para comércio ambulante e a oferta de capacitação profissional.
Enquanto isso, nas ruas de São Paulo, a rotina segue intensa. Ambulantes, entregadores e informais continuam a enfrentar longas jornadas e a incerteza de renda, mas mantêm a esperança de que o novo mandato traga avanços concretos. A expectativa é de que o governo federal construa pontes com o setor e promova um diálogo que resulte em garantias efetivas para quem trabalha fora do mercado formal.
Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/exercito-das-ruas-o-que-trabalhadores-de-sp-esperam-da-gestao-lula-4

