O Primeiro Comando da Capital (PCC) teria articulado um plano para resgatar três presos investigados pelo atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel. A informação consta de denúncias anônimas encaminhadas ao Disque Denúncia (181) e levadas a sério pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Segundo os relatos, a ação envolveria o uso de fuzis e veículos blindados para invadir a Delegacia Sede de São Caetano do Sul, no ABC paulista. Os documentos apontam que membros da 'sintonia final de rua' da facção e lideranças criminosas da zona leste de São Paulo e da favela de Heliópolis estariam envolvidos na articulação.
Os presos que seriam alvo do resgate são Marcos Vinícius Dias Machado, Carlos Roberto Ferreira e Luiz Henrique de Oliveira Nascimento. Eles foram detidos sob suspeita de participação na logística do atentado contra o tenente, ocorrido em 27 de junho. Um quarto detido, Luis Altino da Silva, o Chuck, também está sob custódia.
Uma das denúncias afirma que Carlos e Marcos estariam colaborando com a polícia, o que teria motivado a facção a planejar matá-los ou retirá-los à força da delegacia. O denunciante afirmou ainda que uma pessoa ligada ao PCC visitou os presos e observou a estrutura interna da unidade, incluindo o número de policiais, as armas disponíveis e o local da cela.
Outro relato mencionou três veículos utilitários esportivos blindados e fuzis que seriam separados para a suposta ação. O MPSP considerou as informações críveis e solicitou a transferência dos suspeitos para um Centro de Detenção Provisória (CDP).
Em 6 de julho, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) pediu a remoção. No dia seguinte, o juiz Pedro Corrêa Liao autorizou a transferência, citando o risco do uso de armas de alto poder ofensivo e veículos blindados. No entanto, o processo foi redistribuído e o juiz Hélio Narvaez rejeitou o pedido, entendendo que presos temporários deveriam permanecer separados dos demais detentos.
O Gaeco e a Promotoria de São Caetano apontaram que a segunda decisão foi proferida sem considerar a autorização anterior. Enquanto o impasse judicial se arrastava, Luiz Henrique também foi levado à mesma delegacia.
No último dia 14, uma nova denúncia reforçou que o plano de resgate continuava em andamento. O MPSP afirmou que a situação gerava 'grande preocupação' com a segurança da delegacia, dos agentes e dos próprios presos.
O tenente Ronickson Pimentel, irmão de Eloá Pimentel, vítima de um crime que chocou o país em 2008, segue internado. Ele foi baleado na cabeça durante o atentado e, segundo boletins médicos, apresenta melhora na função cerebral, mas ainda está na UTI.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pcc-teria-planejado-resgatar-presos-do-caso-pimentel-com-blindados


