A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre o acidente com o voo PTB-2283, da Voepass, ocorrido em agosto de 2024 em Vinhedo, no interior de São Paulo, e indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da companhia aérea. As acusações incluem atentado contra a segurança do transporte aéreo, sinistro aéreo com resultado morte e falsidade ideológica.
Entre os indiciados estão despachantes de voo, comandantes, inspetores técnicos e diretores da empresa. O relatório final aponta que o acidente, que matou 62 pessoas, foi resultado de uma combinação de condições meteorológicas adversas, falhas nos equipamentos de degelo e erros operacionais da tripulação.
De acordo com a investigação, o voo enfrentou uma frente fria ativa, ar úmido e formação severa de gelo. Embora a aeronave possuísse sistemas anti-gelo, os registros indicam que esses equipamentos apresentaram falhas no dia do acidente e também nos três voos anteriores. A PF destacou que a indisponibilidade do sistema de degelo deveria ter impedido a operação da aeronave naquelas condições.
A perícia constatou que diferentes tripulações não seguiram uma determinação técnica sobre a reinicialização do sistema de degelo. No entanto, os investigadores ressaltaram que não é possível afirmar se o funcionamento adequado desse sistema seria suficiente para evitar o sinistro.
O laudo também menciona que a tripulação estava habilitada, mas não executou os procedimentos previstos. A PF afirmou que «a sequência de eventos mostra que a tripulação manteve seu foco de atenção em tarefas da cabine, comunicação com o despacho em Guarulhos e preparação para procedimentos de aproximação e pouso, incluindo checklists e briefing, de forma que se mantiveram alheios aos alertas».
O delegado André Ribeiro, chefe da Delegacia da Polícia Federal em Campinas, apontou a existência de uma «cultura organizacional de não-reporte» na empresa. «Havia ali uma cultura realmente de omissão, uma cultura implementada na empresa, que ia em todas as cadeias», disse.
O diretor do Instituto Nacional de Criminalística da PF, Carlos Eduardo Palhares, explicou que a investigação foi conduzida em três frentes: identificação das vítimas, documentação do local e análise do sinistro aeronáutico. A força-tarefa utilizou uma abordagem tripla para esclarecer as circunstâncias do acidente.
O voo PTB-2283 partiu de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, em São Paulo. A aeronave caiu em Vinhedo por volta das 13h22. A bordo estavam 58 passageiros e quatro tripulantes, todos faleceram. Os passageiros haviam comprado passagens pela Latam, que comercializava os voos da Voepass.
A Voepass ainda não se manifestou oficialmente sobre os indiciamentos. A empresa segue operando, mas a investigação pode gerar impactos jurídicos e administrativos. O caso agora será analisado pelo Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento de denúncias à Justiça Federal.
Familiares das vítimas acompanham o desdobramento do caso e aguardam as responsabilizações. A tragédia em Vinhedo é considerada um dos maiores acidentes aéreos do Brasil nos últimos anos, reacendendo o debate sobre a segurança na aviação regional.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pf-indicia-16-funcionarios-e-ex-funcionarios-da-voepass

