As variações hormonais naturais do ciclo menstrual influenciam significativamente o bem-estar físico e emocional das mulheres, afetando aspectos como energia, concentração e humor. Especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo destacam a importância de reconhecer esses ciclos para melhorar a qualidade de vida e o desempenho nas tarefas diárias.
O ciclo menstrual é dividido em três fases principais: folicular, ovulatória e lútea. Cada etapa apresenta mudanças hormonais que afetam o organismo de maneiras distintas. Na fase folicular, que acontece logo após a menstruação, o aumento do estrogênio costuma proporcionar maior clareza mental e disposição. Já na fase lútea, o aumento da progesterona pode provocar maior sensibilidade emocional e redução da energia em algumas mulheres.
De acordo com a ginecologista e mastologista do Iamspe, Denise Joffily, compreender essas oscilações individuais é fundamental para evitar cobranças excessivas e sentimentos de frustração. "O corpo feminino não funciona em linha reta. Não é falta de competência, mas falta de escuta do próprio corpo", explica a especialista, ressaltando que o autoconhecimento hormonal é uma ferramenta importante para a saúde mental.
Para lidar com as variações, os especialistas recomendam reorganizar o planejamento das atividades diárias, reservando os momentos de maior disposição para tarefas que exigem mais foco e energia, e fazendo pausas estratégicas para preservar o bem-estar. Assim, é possível manter a produtividade sem sobrecarregar-se nos períodos em que os sintomas são mais intensos.
Quando sintomas como irritabilidade acentuada, tristeza persistente, dores incapacitantes, crises de ansiedade, ou alterações significativas no sono e na concentração começam a prejudicar as relações pessoais, o trabalho ou o bem-estar geral, a orientação médica se torna necessária para avaliação e possível tratamento.
Além disso, condições como tensão pré-menstrual (TPM), transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), endometriose e síndrome do ovário policístico (SOP) podem exigir acompanhamento especializado e intervenções específicas.
A ginecologista reforça ainda que substituir a autocrítica por um planejamento consciente permite que o ciclo menstrual seja acolhido como parte da rotina, e não um obstáculo à produtividade. "O ciclo pode ser compreendido e integrado a partir de estratégias organizacionais que respeitam as variações naturais do corpo", finaliza.
Esse entendimento pode contribuir para a redução do sofrimento psicológico relacionado a cobranças e expectativas irreais, promovendo maior equilíbrio físico e emocional para as mulheres.
Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/variacoes-hormonais-do-ciclo-menstrual/


