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São Paulo

Sabesp prevê investir R$ 369 por habitante em saneamento, quase o triplo da média nacional

Com a desestatização, companhia planeja aplicar R$ 70 bilhões até 2029 para antecipar a universalização dos serviços de água e esgoto em São Paulo.

A Sabesp prevê investir R$ 369 por habitante em saneamento, quase o triplo da média nacional. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
15 de junho de 202615:30
Atualizado agora há pouco às 18:30

O governo de São Paulo anunciou um plano ambicioso para o setor de saneamento básico. A Sabesp, após o processo de desestatização concluído em agosto de 2024, deverá investir uma média de R$ 369 por habitante nos próximos anos. Esse valor é quase três vezes superior à média nacional registrada em 2024, de R$ 137,02 por habitante, conforme o Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil.

O montante também supera o patamar de R$ 225 por habitante considerado necessário para universalizar os serviços até 2033. Entre 2017 e 2024, antes da privatização, a Sabesp investia em média R$ 171 por habitante. Com o novo ciclo, o valor praticamente dobra, permitindo que as metas de universalização sejam antecipadas para 2029.

O governador Tarcísio de Freitas destacou a magnitude do projeto. “São Paulo está passando por uma revolução no saneamento básico. Vamos investir R$ 70 bilhões até 2029. São ações que fortalecem a proteção dos recursos hídricos, reduzem a poluição, melhoram a qualidade de vida e promovem desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Os investimentos fazem parte do Plano Regional de Saneamento Básico, que prevê R$ 260 bilhões em aportes da Sabesp até 2060. Desse total, R$ 70 bilhões serão aplicados até 2029 para ampliar o acesso à água potável, coleta e tratamento de esgoto nos municípios atendidos pela companhia.

Os resultados já começam a aparecer. Em 2025, o estado registrou o maior investimento da história no setor: R$ 15,2 bilhões, um aumento de 120% em relação aos R$ 6,9 bilhões de 2024, quando a Sabesp ainda era estatal. A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou que os recursos representam um avanço para garantir o acesso universal à água e ao saneamento.

Dados do primeiro trimestre mostram que as metas previstas para o período 2024-2026 já atingem 87% para abastecimento de água, 77% para coleta de esgoto e 71% para tratamento de esgoto. Segundo o Instituto Trata Brasil, moradores de áreas com saneamento adequado podem ter renda até duas vezes maior do que os de regiões sem o serviço. A universalização do saneamento pode gerar mais de R$ 1,4 trilhão em benefícios socioeconômicos para o país até 2040, com ganhos líquidos estimados em R$ 815 bilhões.

Um exemplo concreto é o da professora Maria Helena da Silva, de 58 anos, moradora da Vila São Francisco, em Poá. Ela foi a primeira do bairro a receber água tratada da Sabesp, após cerca de quatro décadas de espera. “Meu pai vive aqui há quase 30 anos. Conheço bem as dificuldades que todos enfrentavam sem água e esgoto. Antigamente, a água chegava por uma mangueira clandestina, sem força, e demorava duas horas para encher uma garrafa”, relatou. Para ela, a chegada da água encanada foi uma conquista após tantos anos de luta.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/investimento-para-antecipar-universalizacao-do-saneamento-em-sp-sera-quase-o-triplo-da-media-nacional/

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