A Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), registrou um recorde de avistamentos de fauna silvestre na Mata Atlântica paulista. O programa Monitora Bio SP contabilizou mais de 116 mil registros individuais de animais em unidades de conservação administradas pela fundação, número que supera os levantamentos anteriores.
Segundo a fundação, os dados indicam a presença contínua de espécies sensíveis à fragmentação florestal, como onça-pintada, anta, muriqui-do-sul, bugios e queixadas. A permanência simultânea desses animais em uma mesma paisagem é considerada rara no bioma e aponta para a integridade ecológica das áreas protegidas.
O Monitora Bio SP, lançado em 2022, reúne informações sobre a biodiversidade da Mata Atlântica e do Cerrado paulista. A plataforma já conta com mais de 123 mil registros independentes de fauna, subsidiando a atualização da Lista Estadual de Espécies Ameaçadas e os Planos de Ação Nacional (PANs).
Entre os destaques do levantamento, o muriqui-do-sul, maior primata das Américas, teve 253 avistamentos e 1.340 indivíduos monitorados entre 2023 e 2026, com evidências de ocupação contínua no Vale do Ribeira e na Serra do Mar. As queixadas passaram de 4,4 mil registros em 2023 para mais de 16 mil em 2025, enquanto as antas ultrapassaram 14 mil registros no mesmo período.
A onça-pintada, espécie símbolo da conservação brasileira, alcançou mais de 700 registros individuais nas áreas monitoradas. Esses números refletem a eficácia dos corredores ecológicos mantidos pelas unidades de conservação, que permitem o deslocamento e a reprodução da fauna.
O Governo de São Paulo também reduziu em 29% o desmatamento da Mata Atlântica entre 2024 e 2025, segundo o Atlas da Mata Atlântica, produzido pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o INPE. O estado passou de 49 hectares desmatados para 35 hectares, mantendo zerada a perda de áreas de mangue e restinga.
A rede de unidades de conservação administradas pela Fundação Florestal conta com 157 áreas, que correspondem a cerca de 20% do território paulista, somando quase 5 milhões de hectares. Essas áreas concentram grande parte dos remanescentes de Mata Atlântica do estado.
Para a diretora de biodiversidade da Fundação Florestal, Andrea Pires, o monitoramento contínuo permite entender a distribuição das espécies ameaçadas e a eficiência das estratégias de conservação. Já o diretor-executivo Rodrigo Levkovicz destacou que São Paulo possui uma das estruturas de conservação mais relevantes do país, integrando proteção territorial, monitoramento científico e gestão ambiental.
Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/com-fortalecimento-da-conservacao-ambiental-pelo-governo-de-sp-mata-atlantica-tem-recorde-de-registros-de-fauna-em-areas-protegidas/


