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São Paulo

MPSP aponta ligação entre PCC e máfia italiana em esquema de lavagem com empresa de ônibus

Operação Última Parada revela que grupo criminoso usava a Transunião para lavar dinheiro, com conexões com a máfia Ndrangheta.

Foto: Reprodução/Instagram

Raphael Nogueira Felix
25 de junho de 202609:51
Atualizado agora há pouco às 12:51

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil deflagraram na manhã desta quinta-feira (25/6) a Operação Última Parada, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a empresa de ônibus Transunião. As autoridades apontaram que o grupo mantinha “pontos de contato” com a máfia italiana Ndrangheta.

De acordo com a representação obtida pela reportagem, as investigações identificaram ligações entre o circuito econômico usado para ocultar recursos ilícitos no setor de transportes e outros grupos criminosos já investigados em operações anteriores, como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. Esta última teve como alvo a organização criminosa italiana.

Além do mesmo “modus operandi” para absorver e dissimular dinheiro ilegal, o MPSP destacou agentes comuns entre a operação atual e a Mafiusi. Entre os alvos de mandados de prisão estão Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, e Lourival de França Monário. A investigação também cita Fábio Fernandes de Souza, que integrou o Conselho de Administração da Transunião entre 2020 e 2023.

A Operação Última Parada apontou o vereador Senival Pereira de Moura (PT) como líder oculto da Transunião. Além dele, outras quatro pessoas são alvos de mandados de prisão, incluindo integrantes do PCC e o presidente “formal” da empresa de ônibus. Agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram mandados na capital paulista, na região metropolitana e no município de Extrema, em Minas Gerais.

A investigação teve início em 2020, após o assassinato do então presidente da Transunião, Adauto Soares Jorge. Durante as apurações sobre a morte de Adauto, as autoridades encontraram evidências de que a concessionária era usada pelo PCC para lavagem de dinheiro. Apenas em 2025, a empresa faturou mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano.

Segundo o MPSP e a Polícia Civil, ficou comprovada a existência de um núcleo paralelo que tomava decisões sobre a empresa, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC. As autoridades também ressaltaram que a mudança societária da Transunião teve origem ilícita, com um salto do capital social de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem origem clara dos recursos.

Senival Pereira de Moura, que atualmente ocupa o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora e preside a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal de São Paulo, foi preso. Em seu 6º mandato, ele é identificado como uma “instância superior de comando” no esquema. Trocas de mensagens revelaram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da anuência do petista, tratado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.

Documentos da polícia indicam que Senival seria o principal responsável por instrumentalizar a Transunião para lavagem de dinheiro em favor de indivíduos ligados ao PCC. O homicídio de Adauto Soares Jorge, em 2020, teria ocorrido porque integrantes do PCC acreditavam que ele estava desviando valores em benefício do vereador.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/mpsp-empresa-onibus-pcc-mafia-italiana

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