Uma ação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (25) contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma facção criminosa. A investigação, batizada de Operação Última Parada, aponta que uma empresa de ônibus era usada como fachada para movimentar recursos ilícitos.
Mandados judiciais estão sendo cumpridos na capital paulista, na Grande São Paulo e no município de Extrema, em Minas Gerais. Até o momento, cinco pessoas foram presas, entre elas um vereador da cidade de São Paulo, integrantes da facção e o presidente da concessionária de ônibus envolvida.
As ordens são executadas por agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo as autoridades, as investigações começaram após o assassinato do tesoureiro da empresa, ocorrido em 2020.
De acordo com o Ministério Público, foram reunidas provas de que a empresa servia como instrumento para lavagem de capitais da organização criminosa. Um núcleo paralelo, formado por suspeitos, tomava decisões estratégicas e realizava transferências de recursos para membros da facção.
A apuração também identificou irregularidades na estrutura societária da concessionária. O capital social da empresa saltou de cerca de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem que a origem dos recursos fosse esclarecida.
Os investigadores apontam ainda conexões entre o esquema financeiro descoberto na Operação Última Parada e outros investigados em operações anteriores, como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. Esta última, conduzida pela Polícia Federal, focou no tráfico internacional de drogas envolvendo a mesma facção e a máfia italiana.
A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa. Também foram bloqueados 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. Além disso, os diretores da concessionária foram afastados, e medidas administrativas e contratuais foram adotadas, incluindo a possibilidade de intervenção da Prefeitura de São Paulo para garantir a continuidade do serviço de transporte à população.
Em 2025, a empresa recebeu mais de R$ 300 milhões pela operação do serviço. A nova ação ocorre após a Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024, que desarticulou organizações criminosas que usavam empresas de ônibus para lavar dinheiro do tráfico de drogas e outros crimes.
Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/operacao-da-policia-e-mp-desmantela-esquema-de-lavagem-de-dinheiro-de-faccao-criminosa-por-meio-de-empresa-de-onibus/


