A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram na manhã desta quinta-feira (25) a Operação Fim da Linha, que resultou na prisão preventiva do vereador Senival Pereira de Moura (PT). A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro supostamente operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de transporte público.
De acordo com a investigação, Senival Moura seria o líder oculto da empresa Transunião, utilizada para ocultar recursos de origem ilícita. Mensagens obtidas pela polícia indicam que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da autorização do parlamentar, tratado por codinomes como “presidente”, “véio” e “vereador”.
Documentos apreendidos apontam que Senival era o beneficiário real de pelo menos 13 ônibus registrados em nome de terceiros ou da própria Transunião. Os CPFs do político e de familiares, como esposa e filhos, aparecem vinculados a esses ativos.
A investigação também revelou que o vereador movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, sendo que R$ 2,47 milhões não têm origem declarada. Além disso, ele possui um patrimônio imobiliário de alto padrão considerado incompatível com sua remuneração oficial.
Segundo a polícia, Senival seria o principal responsável por instrumentalizar a Transunião para lavagem de dinheiro em favor de integrantes do PCC. O homicídio de Adauto Soares Jorge, ex-presidente formal da empresa, teria ocorrido porque membros da facção acreditavam que ele desviava valores em benefício do vereador.
Assessores do gabinete de Senival na Câmara Municipal ocupavam cargos estratégicos na administração da Transunião e de outras empresas do grupo, o que sugere a instrumentalização da estrutura pública para garantir os interesses do político.
Atualmente, Senival exerce os cargos de 1º Secretário da Mesa Diretora e Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara Municipal de São Paulo. Essa posição lhe confere poder de fiscalização e regulamentação sobre o setor em que a Transunião atua.
Durante as diligências, a polícia apreendeu documentos e dispositivos digitais no escritório do parlamentar. A Justiça decretou a prisão temporária e autorizou buscas em seus endereços. A defesa do vereador ainda não se manifestou sobre as acusações.
Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/entenda-suspeitas-senival-moura


