Uma pesquisa realizada pelo Procon-SP entre maio e junho de 2025 apontou que 79,13% dos consumidores que compram medicamentos desconhecem a existência de um preço máximo regulado para a maioria dos remédios. O teto é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e divulgado pela Anvisa como Preço Máximo ao Consumidor (PMC).
O levantamento ouviu 1.819 pessoas, das quais 1.538 afirmaram comprar medicamentos. Entre esses, a falta de informação sobre o limite de preços é generalizada: quatro em cada cinco não sabem que o valor não pode ultrapassar o PMC. Além disso, quase 30% dos que conhecem o teto não sabem onde consultá-lo.
O impacto financeiro é significativo. Cerca de 88% dos entrevistados já deixaram de comprar algum remédio por causa do preço, e 94,93% dizem pesquisar valores antes de adquirir um medicamento. A pesquisa também mostrou que, ao receber uma prescrição, metade dos consumidores (50,20%) opta por trocar o produto indicado por um genérico ou outra opção mais barata; apenas 31,73% compram exatamente o que foi receitado.
Para medicamentos sem prescrição, a escolha é baseada principalmente na experiência anterior (34,20%) e na recomendação do farmacêutico (27,18%). Outro dado relevante é a queda na preferência exclusiva por grandes redes físicas: de 51,91% para 43,17% em um ano, indicando migração para canais online ou combinação de ambos.
A pesquisa também abordou a privacidade dos dados. 71,20% dos consumidores fornecem o CPF sempre para obter descontos em farmácias, mas 54,29% não sabem como essas informações são tratadas, e 35,24% têm dúvidas sobre o assunto. O Procon-SP destaca que as farmácias precisam esclarecer se os dados são compartilhados com laboratórios, convênios ou redes hospitalares, e se há monetização, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Comparado ao ano anterior, o desconhecimento sobre o teto de preços aumentou de 74,82% para 79,13%. A percepção de que a publicidade induz à automedicação subiu de 66,10% para 70,35%, e o uso combinado de canais físicos e online avançou de 31,25% para 39,40%.
O Procon-SP reforça que o acesso à informação é um direito básico do consumidor e que a transparência no uso de dados pessoais é essencial para um consumo seguro e consciente. A pesquisa integra as ações do órgão para educação do consumidor e elaboração de políticas públicas.
Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/pesquisa-do-procon-sp-mostra-que-quase-80-dos-consumidores-que-compram-medicamentos-desconhecem-teto-de-precos/


