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São Paulo

Brasileiro sancionado pelos EUA é acusado de lavar US$ 30 milhões para o PCC com criptomoedas

Victor Shimada, alvo de sanção americana, teria enviado valores ilícitos ao Brasil usando criptomoedas, em esquema ligado ao PCC.

Foto: Agência Brasil

Raphael Nogueira Felix
1 de julho de 202614:09
Atualizado agora há pouco às 17:09

O governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra um brasileiro suspeito de lavar US$ 30 milhões para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida, divulgada nesta quarta-feira (1º de julho) pelo Departamento do Tesouro, é a primeira desde que a facção foi classificada como organização terrorista pelo governo Donald Trump.

Victor Henrique de Oliveira Shimada, alvo da sanção, integra um grupo de pessoas e empresas brasileiras que tiveram bens bloqueados nos EUA. Segundo as autoridades americanas, ele utilizava criptomoedas para enviar os recursos ilícitos de volta ao Brasil, beneficiando o PCC.

A investigação aponta que a rede de lavagem de dinheiro operava na Flórida e em São Paulo. Em janeiro, o FBI prendeu seis integrantes do grupo na Flórida, que foram denunciados por lavagem de dinheiro no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Flórida.

Além de Shimada, a ação do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) também mira Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como integrante do núcleo paulista. De acordo com documentos da Justiça americana, Shimada era conhecido como “Japa” e Stella como “Prima” e “Lara Croft”, em referência à personagem do game Tomb Raider.

O comunicado dos EUA afirma que Shimada também esteve envolvido em outros crimes financeiros, como fraude publicitária. Em janeiro de 2025, ele ficou brevemente em prisão domiciliar no Brasil devido a suspeitas de que sua empresa, Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., teria lavado dinheiro desviado de um clube brasileiro de futebol.

A Victory Trading, sancionada pelo Tesouro americano, é alvo de investigação sobre o escândalo da Vai de Bet, empresa que patrocinou o Corinthians. O esquema teria usado o vínculo com o clube para lavar dinheiro.

As autoridades americanas detalharam que Shimada e Stella atuaram em conjunto com facilitadores e transportadores de dinheiro em diversas cidades dos EUA, como Miami, Chicago, Los Angeles e Houston. O objetivo era ocultar a origem dos recursos e devolvê-los a fornecedores de drogas, incluindo Manuel Garcia-Urrea, do México.

Em 5 de junho, o governo Trump classificou oficialmente o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). Essa mudança permite aos EUA uma persecução global mais agressiva, com poder de rastrear e neutralizar as redes operacionais desses grupos fora do Brasil, além de ativar dispositivos penais contra quem prestar apoio às facções.

A sanção contra Shimada representa um novo passo no cerco financeiro ao PCC, que agora pode sofrer bloqueios de ativos e restrições em transações internacionais.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/brasileiro-alvo-de-sancao-dos-eua-e-acusado-de-lavar-us-30-mi-do-pcc

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