A Polícia Federal deflagrou na última sexta-feira (3) a Operação Exchange, que mira um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 10 bilhões. No entanto, segundo delegados ouvidos em reservado, a sanção imposta pelos Estados Unidos a dois brasileiros, sem aviso prévio, prejudicou o planejamento da ação.
Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foram sancionados pelo Departamento do Tesouro dos EUA na quarta-feira (1º), sob acusação de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A PF já havia obtido mandados judiciais em junho, mas aguardava o momento ideal para cumprir as ordens.
Com a divulgação das sanções, a imagem de Shimada, principal alvo, foi amplamente veiculada na imprensa. Uma autoridade da PF afirmou que a exposição atrapalhou a localização do suspeito, que não estava no local esperado quando a operação foi executada.
Outra fonte apontou falta de coordenação entre o FBI e a PF. Caso houvesse comunicação prévia, a operação poderia ter sido realizada em conjunto, evitando que o alvo principal escapasse.
Shimada é sócio da Victory, empresa investigada no escândalo que envolve o Corinthians e a casa de apostas Vai de Bet. O Departamento do Tesouro dos EUA o descreve como um elo fundamental com agentes do PCC, acusando-o de lavar mais de US$ 30 milhões em território americano.
Stella Stefanie, parente de Shimada, foi presa pela PF. Ela é apontada como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro para a facção criminosa, prestando serviços logísticos essenciais para a rede de lavagem.
O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, afirmou que não há informações que liguem Shimada ao PCC. Segundo ele, eventuais provas das autoridades americanas ainda não foram compartilhadas com o órgão.
Na operação, a PF cumpre 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Também foi determinado o sequestro de bens e criptoativos até o montante de R$ 10,4 bilhões. Mais de 50 policiais federais participam da ação.
A defesa de Shimada afirmou que não teve acesso às decisões judiciais e que qualquer manifestação seria precipitada. Já os representantes de Stella Stefanie não foram localizados para comentar o caso.


Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/sancao-dos-eua-atrapalhou-operacao-contra-esquema-bilionario-diz-pf


