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São Paulo

PT e PL unem forças para investigar entidade que atua na Cracolândia de São Paulo

Partidos de espectros opostos, PT e PL, pedem apuração de supostas irregularidades na Associação Filantrópica Nova Esperança, responsável por unidades de saúde na região da Cracolândia, incluindo contratação de médicos mortos e nepotismo.

PT e PL pedem investigação da Associação Filantrópica Nova Esperança, que atua na Cracolândia, por suspeitas de irregularidades como contratação de médicos mortos e nepotismo. Foto: metropoles.com

Raphael Nogueira Felix
4 de julho de 202615:27
Atualizado agora há pouco às 18:27

Uma parceria incomum entre PT e PL tem marcado a investigação sobre a Associação Filantrópica Nova Esperança (Afne), organização social contratada pela Prefeitura de São Paulo para gerir unidades de saúde na região da Cracolândia. Os dois partidos, tradicionalmente rivais, apresentaram ações para que as suspeitas de irregularidades sejam aprofundadas.

De acordo com informações apuradas, uma sindicância interna apontou indícios de contratação de médicos aposentados e até falecidos, além de casos de nepotismo. Um dos exemplos citados é o de uma médica, filha de uma servidora da Secretaria Municipal da Saúde, que recebia salário de R$ 30 mil da associação. A mãe da profissional teria participado do processo de seleção da entidade pela prefeitura.

Em março, o contrato da Afne com a capital paulista chegou a ser rescindido, mas a organização conseguiu retomar os serviços por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). O processo corre em sigilo, o que tem gerado críticas de autoridades.

As denúncias que deram origem às apurações partiram de funcionários que atuam na Cracolândia. Eles procuraram o vice-prefeito Ricardo Mello Araújo (PL), que encaminhou o caso à Corregedoria-Geral do Município. O órgão mantém as investigações em aberto. Como reação, a Afne abriu um inquérito policial por calúnia contra os denunciantes.

O deputado federal Kiko Celeguim, presidente do PT estadual, e o vereador Hélio Rodrigues, presidente do PT municipal, também ingressaram com representações no Ministério Público de São Paulo (MPSP) e no Tribunal de Contas do Município (TCM). Além disso, propuseram a abertura de uma CPI das Organizações Sociais de Saúde na Câmara dos Vereadores.

“A população de São Paulo tem o direito de saber se os contratos estão sendo cumpridos corretamente e se o dinheiro público está sendo utilizado para garantir um atendimento de qualidade”, afirmou o vereador Hélio Rodrigues.

O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) protocolada pelo PT em abril. O processo foi distribuído ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes.

O vice-prefeito Mello Araújo, que levou as denúncias adiante, afirmou que as suspeitas de irregularidades são um dos motivos pelos quais “a Cracolândia não ia para frente”. Ele criticou o sigilo do processo judicial e defendeu a transparência, com exceção da identidade dos denunciantes. “Foram corajosos. É isso que a gente está precisando na política”, disse.

Mello Araújo ainda revelou que precisou intervir junto ao secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Zamarco, para evitar que os funcionários que fizeram as denúncias fossem transferidos de seus postos.

Procurada, a Afne não comentou as suspeitas e informou que já prestou os devidos esclarecimentos aos órgãos competentes.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pt-pl-cracolandia

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