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São Paulo

Investigação brasileira cita PCC apenas uma vez em pedido de prisão contra alvos de sanção dos EUA

Documento de 79 páginas da Polícia Federal menciona facção em único diálogo sobre suposto ex-integrante, contrariando alegação americana de vínculo direto.

Documento de 79 páginas da Polícia Federal cita PCC apenas uma vez em diálogo sobre suposto ex-integrante, contrariando alegação dos EUA. Foto: metropoles.com

Raphael Nogueira Felix
7 de julho de 202603:16
Atualizado agora há pouco às 06:16

A sanção imposta pelos Estados Unidos a um suposto núcleo financeiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) não encontra respaldo na investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) no Brasil. Em um documento de 79 páginas, a PF faz apenas uma referência à facção criminosa, apesar de os EUA terem baseado a punição na alegação de que os alvos operavam uma rede de lavagem de dinheiro para o PCC.

No último dia 1º de julho, o Tesouro americano sancionou dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma portuguesa, acusando-os de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção, com atuação na Flórida e em São Paulo. A medida ocorreu após o governo de Donald Trump classificar o PCC como organização narcoterrorista, em junho. Três dias depois, a PF deflagrou a Operação Exchange contra o mesmo grupo.

Entre os sancionados estão Victor Henrique de Oliveira Shimada, foragido, e Stella Stefanie de Oliveira, já presa. Eles são apontados como integrantes de uma associação criminosa transnacional que teria movimentado cerca de R$ 10,3 bilhões por meio de um esquema financeiro e empresarial focado em lavagem e ocultação de bens.

A única menção ao PCC no documento da PF aparece em uma conversa entre Shimada e outro investigado, Carlos Henrique Costa Almeida. Segundo o relato, Almeida teria perguntado a Shimada se ele teria euros para vender, pois um suposto ex-membro da facção estaria interessado em receber cerca de R$ 1 milhão no Brasil. Shimada teria respondido que tentaria organizar a operação. O diálogo trata de um ex-integrante, não de alguém ativo na organização.

Antes da operação, o promotor Lincoln Gakya, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), especializado em investigações contra o PCC, negou a existência de vínculo entre os alvos e a facção. A posição contrasta com a justificativa usada pelo governo americano para decretar as sanções, que afirmava que a rede de lavagem de dinheiro operava em estreita colaboração com facilitadores nos EUA, incluindo Ygor Fokin Saviolli, conhecido como YG ou Boa Sorte.

Delegados da PF ouvidos reservadamente criticaram a sanção dos EUA, afirmando que ela atrapalhou as investigações em andamento. Os mandados de prisão de Shimada e Stella haviam sido deferidos pela Justiça Federal em junho, mas a equipe ainda tentava localizar Shimada. A divulgação do caso na imprensa dificultou a captura. Autoridades brasileiras consideram que a falta de coordenação entre o FBI e a PF prejudicou a operação conjunta.

O episódio reacende o debate sobre a interferência de sanções unilaterais dos EUA em investigações brasileiras, com críticas de que tais medidas podem atrapalhar operações, gerar sanções secundárias a empresas nacionais e comprometer a soberania do Brasil.

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Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pf-pcc-eua-prisao-sancionados

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