A Polícia Federal prendeu na última sexta-feira (3/7) João Gilberto Codognotto, conhecido como Barão do Café, durante a Operação Exchange. Ele é suspeito de atuar como operador financeiro de Victor Shimada, empresário sancionado pelos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Codognotto passou quatro noites na Superintendência da PF, em São Paulo, e foi solto na terça-feira (7/7). A defesa dele não se manifestou até o momento. A investigação aponta que ele movimentou recursos para Shimada, que segue foragido.
Não é a primeira vez que o Barão do Café é detido. Em 2024, ele foi preso por lavagem de dinheiro para o PCC em uma operação contra o traficante Roland Ronald, acusado de ser elo da facção com organizações internacionais, como as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc).
O livro "Tremembé: o presídio dos famosos", do jornalista Ulisses Campbell, narra a amizade entre Codognotto e o ex-jogador Robinho. Eles se conheceram quando eram vizinhos em um condomínio de luxo em Guarujá, no litoral paulista. No cárcere, firmaram um pacto: quando estivessem livres, tomariam juntos o café mais caro do mundo, o kopi luak, na mansão do cafeicultor.
De acordo com a PF, uma das empresas de Codognotto, a JGC Intermediação de Negócios Eireli, recebeu dinheiro de Shimada via Pix. Mensagens interceptadas mostram conversas sobre operações financeiras no Brasil e no exterior. Em uma delas, Codognotto pergunta se pode receber dinheiro em Assunção, no Paraguai, e diz que depositaria o equivalente a 50 mil dólares em guarani.
Em outra conversa, ele pede uma transferência para os Estados Unidos e envia dados de uma conta da Raízen, empresa do setor de energia, solicitando R$ 120 mil. A PF suspeita que a Raízen foi usada como empresa de fachada para triangulação de valores.
"A Raízen esclarece que não tem qualquer relação com os fatos investigados no âmbito da operação Exchange e já adotou as medidas judiciais cabíveis para o esclarecimento dos fatos", disse a empresa em nota.
Codognotto já foi solto duas vezes desde a prisão em Tremembé. Robinho, que esteve no mesmo presídio, hoje cumpre pena no Centro de Ressocialização de Limeira. O caso segue sob investigação da Polícia Federal.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/robinho-barao-cafe-eua


