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São Paulo

Sistema Cantareira tem 63 bilhões de litros a menos que em 2025 e opera em alerta

O maior reservatório que abastece a Grande São Paulo perdeu volume equivalente a um mês de captação, e a vazão segue abaixo da média histórica.

O Sistema Cantareira, maior reservatório que abastece a Grande São Paulo, opera em alerta com 63 bilhões de litros a menos que em 2025. A vazão segue abaixo da média históricaFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
11 de julho de 202602:17
Atualizado agora há pouco às 05:17

O Sistema Cantareira, principal reservatório de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, registra uma redução significativa em seu volume de água neste início de julho. Em comparação com o mesmo período de 2025, o sistema perdeu quase 63 bilhões de litros, quantidade equivalente ao que é captado ao longo de um mês inteiro. O nível atual coloca o Cantareira na faixa de alerta, segundo dados oficiais.

A vazão do reservatório também preocupa. Até a última quinta-feira (9), o Cantareira recebia 17 mil litros de água por segundo, bem abaixo da média histórica de 26,6 mil litros por segundo para o mês de julho. Essa diferença de quase 10 mil litros por segundo acende um sinal de atenção para o abastecimento da capital paulista e cidades vizinhas.

De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), junho teve precipitação 193% acima da média histórica. No entanto, por ser um período de estiagem, o volume absoluto de chuva foi baixo e não foi suficiente para elevar significativamente a vazão dos mananciais.

“Como consequência, observa-se a persistência de um déficit hídrico na região, conforme indicado pelo Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI), que enquadra o Sistema Cantareira em condição de seca hidrológica de intensidade entre fraca e moderada, nas escalas temporais de 6 e 12 meses, respectivamente”, diz o boletim do Cemaden divulgado na terça-feira (7).

A projeção do Cemaden indica que, se as chuvas se mantiverem dentro da média, o Cantareira pode chegar a setembro com 36% da capacidade e a dezembro com 45%. Apesar de ainda estar em nível de atenção, o sistema terminaria 2026 em situação melhor do que no fim de 2025, quando operava com apenas 20,2% da capacidade. Contudo, o órgão ressalta que ainda não é possível confirmar essa tendência.

Em contrapartida, o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que reúne todos os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo, apresenta um cenário mais favorável. O acumulado do SIM é de 1 trilhão de litros, 28 bilhões a mais do que em julho de 2025, uma variação positiva de 2,9%. Quatro dos principais sistemas, como Alto Tietê e Guarapiranga, têm mais água do que no ano passado.

O ponto de atenção, no entanto, é que os demais reservatórios vêm sendo mais demandados para suprir a deficiência do Cantareira, o que pode gerar estresse hídrico. A captação média do SIM é apenas 2,3 mil litros por segundo menor do que em julho de 2025, indicando uma operação próxima ao limite.

O Governo do Estado de São Paulo afirma que adota, desde o ano passado, uma estratégia preventiva e integrada para fortalecer a segurança hídrica. A medida inclui monitoramento contínuo, projeções hidrológicas e investimentos em infraestrutura resiliente. “Como parte dessa estratégia, o estado executa o maior plano de resiliência hídrica de sua história, com mais de R$ 25 bilhões em investimentos”, informou o governo em nota.

A Sabesp, responsável pelo abastecimento, assegura que a captação está dentro dos limites legais e que as projeções operacionais para 2026 confirmam a segurança do fornecimento, mesmo em cenários hidrológicos adversos. A companhia destaca que a quantidade total de água captada nos mananciais segue rigorosamente as outorgas e regras operacionais vigentes.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/sistema-cantareira-perde-um-mes-de-agua-em-comparacao-com-2025

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