A Polícia Civil de São Paulo realizou nesta terça-feira (14) uma operação contra uma organização criminosa suspeita de criar mais de 100 empresas de fachada para desviar aproximadamente R$ 80 milhões. A ação, batizada de Operação Summit, foi coordenada pelo 10º Distrito Policial, na Penha, e resultou na prisão de um homem e no cumprimento de mandados em mais de 20 endereços no estado.
De acordo com as investigações, o grupo utilizava uma estrutura padronizada para abrir empresas com o prefixo “Summit” ou nomes que remetiam ao mercado financeiro, como forma de passar credibilidade. As companhias eram registradas em lotes, todas com capital social fictício de R$ 5 milhões, e rapidamente desativadas após denúncias ou bloqueios bancários.
No centro do esquema estaria Fábio Czerkes Santana, preso durante a operação. A polícia aponta que ele teria migrado da sonegação fiscal para o cibercrime, mantendo a mesma rede de contadores e laranjas. A reportagem não localizou a defesa do suspeito, que segue com o espaço aberto para manifestação.
A investigação identificou Santa Bárbara d’Oeste como uma espécie de bunker administrativo da quadrilha. Lá, o grupo recrutava pessoas em situação de vulnerabilidade para figurar como proprietárias das empresas multimilionárias.
As vítimas eram aliciadas por meio de Instagram e WhatsApp, por supostos “professores” e “analistas” que prometiam lucros rápidos em plataformas de investimento. A quadrilha usava dashboards manipuláveis, onde os saldos eram fictícios, criados por especialistas em TI que operavam em escritórios na Avenida Paulista.
Um dos casos envolve uma vítima que, durante dez dias em fevereiro de 2025, fez cinco depósitos totalizando mais de R$ 250 mil. Os criminosos enviavam capturas de tela com saldos que chegavam a R$ 4,7 milhões, incentivando novos aportes. Para conquistar confiança, permitiram um saque inicial de pouco mais de R$ 30 mil.
“Quando a vítima tentou resgatar os valores, passou a receber exigências de novos pagamentos sob justificativas falsas, como custos de fechamento e diferença cambial”, detalhou a polícia. A fraude só foi percebida quando os pedidos de depósitos adicionais se tornaram sucessivos, inviabilizando o saque do suposto saldo.
A polícia suspeita que o mesmo grupo possa estar ligado ao ataque hacker contra a financeira Sinqia, em agosto de 2025, que comprometeu cerca de R$ 710 milhões. Além disso, Fábio Czerkes Santana teria tentado abrir uma empresa em Varsóvia, na Polônia, para movimentar recursos no exterior, mas a conta foi negada.
A Operação Summit continua em andamento, e as autoridades buscam identificar outros envolvidos e recuperar os valores desviados. A Polícia Civil orienta que vítimas de golpes semelhantes procurem a delegacia mais próxima para registrar ocorrência.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/policia-grupo-firmas-fake-desviou-milhoes


