UrgenteFiesp critica governo Lula por tarifa dos EUA e cita 'ruídos diplomáticos'
← Voltar

São Paulo

Fiesp critica governo Lula por tarifa dos EUA e cita 'ruídos diplomáticos'

Federação das Indústrias de São Paulo lamenta nova sobretaxa de 25% a produtos brasileiros e aponta prejuízos à competitividade.

A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) criticou o governo Lula pela tarifa dos EUA, citando ruídos diplomáticos e prejuízos à competitividadeFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
15 de julho de 202622:57
Atualizado agora há pouco às 01:57

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou descontentamento com a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada nesta quarta-feira, 15 de julho, decorre de investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de práticas desleais de comércio.

Em nota oficial, a entidade paulista classificou a sobretaxa como especialmente prejudicial por ser direcionada exclusivamente ao Brasil, o que, segundo a Fiesp, reduz a competitividade do país em relação a concorrentes globais. A federação também criticou a postura do governo brasileiro nas relações com Washington.

A Fiesp afirmou que o governo optou por 'ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington' em vez de buscar uma solução técnica e pragmática para o impasse comercial.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destacou a importância do mercado norte-americano para as exportações brasileiras de alto valor agregado. Ele lembrou que as empresas já enfrentam desafios internos, como alta carga tributária e juros elevados.

"O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo 'pedágio' imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios", afirmou Paulo Skaf.

A investigação do USTR teve como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que trata de práticas comerciais consideradas desleais. Foram questionados temas como comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. O documento também fez críticas ao sistema Pix e ao Banco Central do Brasil.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4 mil produtos brasileiros podem ser afetados pela tarifa, com impacto estimado em US$ 14,9 bilhões nas exportações para os EUA. A decisão final cabe ao presidente Donald Trump, que deve avaliar a recomendação do USTR.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou as novas tarifas como "desproporcionais" e "injustas", e afirmou que o governo brasileiro estudará medidas para atender os setores impactados. Apesar disso, o Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda avalia que o impacto na economia brasileira deve ser limitado.

A Fiesp, por sua vez, reafirmou o compromisso com a diplomacia empresarial e disse que continuará trabalhando para reverter ou mitigar as tarifas, buscando ampliar a lista de isenções junto a parceiros nos Estados Unidos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/apos-novo-tarifaco-fiesp-critica-governo-lula-por-ruidos-diplomaticos

FiesptarifaEUAcomércio exteriorgoverno Lulaia-auto