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São Paulo

Operação Hawala prende libaneses suspeitos de lavar R$ 100 milhões para facções criminosas

Quatro libaneses foram presos em São Paulo durante a Operação Hawala, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e o MPRJ, por suspeita de liderar esquema de lavagem de dinheiro para o PCC, CV e TCP.

Quatro libaneses foram presos em São Paulo pela Operação Hawala, suspeitos de lavar R$ 100 milhões para facções criminosasFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
15 de julho de 202610:37
Atualizado agora há pouco às 13:37

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério Público estadual, deflagrou nesta quarta-feira (15/7) a Operação Hawala, que resultou na prisão de quatro libaneses em São Paulo. Eles são suspeitos de integrar um grupo criminoso responsável por lavar dinheiro para facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP).

De acordo com as investigações, o esquema movimentou mais de R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas. O dinheiro era ocultado por meio de lojas de venda de celulares e outros produtos irregulares localizadas no centro da capital paulista.

A ação policial cumpriu 10 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de bens e participações societárias dos investigados.

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou 22 pessoas por envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro. Entre os presos em São Paulo estão três irmãos de origem libanesa: Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun. O quarto detido é Ali Alfakih, cujo papel na organização ainda não foi esclarecido.

Segundo a delegada Lorena Rocha, da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), no Rio de Janeiro, o grupo utilizou dezenas de empresas entre 2021 e 2024 para dissimular valores obtidos com tráfico de drogas, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados.

“Tudo começou na apuração da venda de produtos ilegais no Rio de Janeiro e culminou nessa descoberta que usava lojas no Centro de São Paulo para lavar dinheiro”, explicou a delegada.

As investigações também apontaram que o grupo tem ligações com um indivíduo sancionado pelo governo dos Estados Unidos, apontado como financiador da Al-Qaeda. A Polícia Civil do Rio apura a possível conexão entre a organização terrorista e as facções brasileiras.

Para dificultar o rastreamento dos recursos, o grupo utilizava empresas de fachada, transferências sucessivas entre pessoas jurídicas, depósitos fracionados em dinheiro e “laranjas”. A análise financeira contou com o apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), que identificou incompatibilidades entre a movimentação das empresas e suas atividades econômicas.

A Operação Hawala representa um duro golpe no esquema de lavagem de dinheiro que abastecia as principais facções criminosas do país. A reportagem tenta contato com a defesa dos presos, mas até o momento não obteve retorno.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/sp-libaneses-presos-sao-acusados-de-lavar-dinheiro-para-pcc-cv-e-tcp

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