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Técnicos do TCE-SP apontam distorções em repasses a concessionárias de rodovias paulistas

Fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo identificou possíveis valores inflados em contratos de rodovias, mas caso foi arquivado por conselheiro.

Técnicos do TCE-SP apontam distorções em repasses a concessionárias de rodovias paulistasFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
17 de julho de 202602:10
Atualizado agora há pouco às 05:10

O setor de Fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) identificou distorções e possíveis valores inflados em repasses a concessionárias de rodovias paulistas. O apontamento, feito por técnicos do órgão, envolve reequilíbrios econômico-financeiros relacionados a perdas atribuídas à pandemia de Covid-19.

Os técnicos encontraram indícios de que as concessionárias podem ter recebido valores maiores do que o devido, mesmo após a redução dos impactos da pandemia no tráfego. A análise questiona a metodologia utilizada pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) nos cálculos dos repasses.

De acordo com o parecer técnico, a Artesp considerou o período entre março de 2020 e dezembro de 2022 para o cálculo dos reequilíbrios. Os técnicos apontam que a extensão do período pode ter aumentado os valores reconhecidos, por incluir anos em que o fluxo de veículos já estava em recuperação.

Outro ponto destacado é que a Artesp calculou o impacto sobre o tráfego total, sem separar veículos leves e pesados. A fiscalização considera que a circulação de veículos pesados não sofreu impacto relevante durante a pandemia, diferentemente dos veículos leves. Essa mistura de dados poderia favorecer discrepâncias nos repasses.

A análise também aponta que o uso das Taxas Internas de Retorno (TIR) originais dos contratos pode não refletir a realidade econômica da pandemia, influenciando significativamente os valores apurados. Além disso, os cálculos não levaram em conta benefícios obtidos por concessionárias que deixaram de realizar investimentos previstos antes da pandemia.

O caso teve origem em uma representação do deputado estadual Antonio Donato (PT), que apontou um possível desequilíbrio financeiro de R$ 2,5 bilhões. Apesar do parecer técnico, o processo foi arquivado pelo conselheiro Wagner Rosário, ex-secretário da Controladoria Geral do Estado de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em nota, a Artesp afirmou que o TCE-SP não apontou pagamentos inflados no processo citado e que nem sequer foi notificada. A agência ressaltou que apresentou esclarecimentos e documentos solicitados e que, após análise, o processo foi arquivado.

A Artesp reforçou seu compromisso com a lisura e a transparência, e se disse à disposição dos órgãos de controle para prestar informações. O caso reacende o debate sobre a fiscalização dos contratos de concessão rodoviária no estado, especialmente em ano eleitoral.

A oposição avança em uma nova frente de críticas ao governo Tarcísio, que já enfrenta questionamentos sobre a instalação dos pedágios free flow nas rodovias paulistas. O arquivamento do processo, no entanto, não encerra a discussão sobre a metodologia dos repasses.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/fiscalizacao-do-tce-ve-verbas-infladas-em-contratos-de-rodovias-de-sp

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