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São Paulo

Policiais militares são condenados por tortura com arma de fogo contra adolescente na zona leste de SP

Dois PMs foram sentenciados pelo Tribunal de Justiça Militar por submeter um jovem a uma simulação de roleta-russa durante abordagem em fevereiro de 2025. As imagens das câmeras corporais registraram a violência.

Dois policiais militares foram condenados por tortura contra um adolescente na zona leste de SP, com simulação de roleta-russa registrada por câmeras corporaisFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
20 de julho de 202618:50
Atualizado há 15 horas às 21:50

O Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP) condenou dois policiais militares por crimes cometidos durante uma abordagem a adolescentes em uma comunidade da zona leste da capital paulista, em fevereiro de 2025. As penas foram definidas após análise de imagens registradas pelas próprias câmeras corporais dos agentes.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o sargento Amauri dos Santos apontou um revólver contra a cabeça de um adolescente e efetuou um disparo, em uma prática conhecida como "roleta-russa". Antes do tiro, ele teria colocado uma bala no tambor da arma e girado o dispositivo, sem saber onde o projétil estava. A arma disparou, mas não atingiu a vítima. Em seguida, o policial ainda apontou o revólver para o pescoço do jovem.

O sargento foi condenado a 12 anos e cinco meses de prisão pelos crimes de tortura, abuso de autoridade e fraude processual. Durante a ação, ele teria feito um sinal com as mãos para que os colegas virassem de costas, com o objetivo de não registrar os abusos nas câmeras corporais. A atitude foi considerada pela Justiça como tentativa de obstruir a investigação.

Além de Amauri, o cabo Sandro da Silva Nascimento também foi flagrado apontando um revólver para o olho de outro adolescente. Ele foi condenado a quatro anos e 10 meses de prisão, em regime semiaberto, pelos mesmos crimes de tortura e abuso de autoridade. Um terceiro policial, que aparece rindo durante as cenas, é investigado separadamente.

As agressões teriam ocorrido durante uma operação na comunidade Caixa d'Água, com o objetivo de obter informações sobre o tráfico de drogas na região. O sargento Amauri também responde por peculato, pois entorpecentes apreendidos na ação desapareceram sob sua supervisão. Ele era o responsável pela viatura onde o material foi armazenado.

"Amauri dos Santos foi condenado a 12 anos e cinco meses de prisão pelos crimes de tortura, abuso de autoridade e fraude processual", confirmou o TJMSP em nota. A defesa do sargento contestou a acusação de fraude, argumentando que todas as cenas foram registradas pelas câmeras. Além disso, afirmou que a arma usada seria de brinquedo e que o material apreendido não era droga, mas lixo, tendo sido descartado pela equipe.

Já o advogado do cabo Sandro declarou que seu cliente "agiu movido pela vontade de combater o tráfico de drogas e combater o crime". A defesa ainda não se manifestou sobre a possibilidade de recurso. O Metrópoles aguarda retorno das partes para atualizar a reportagem.

O caso levanta novamente o debate sobre o uso de câmeras corporais por policiais militares em São Paulo. As imagens foram fundamentais para a condenação, mas também evidenciam a tentativa de ocultar provas. A comunidade Caixa d'Água, na zona leste, é uma das áreas com histórico de operações policiais e conflitos relacionados ao tráfico.

A sentença do TJMSP ocorre em meio a um contexto de crescente vigilância sobre a atuação policial no estado. Organizações de direitos humanos acompanham o caso e cobram transparência nas investigações. Até o momento, não há informação sobre eventual recurso das defesas.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pms-sao-condenados-por-fazerem-roleta-russa-com-adolescente-em-sp

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