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São Paulo

Banco Master transferiu R$ 3,6 bilhões em créditos para gestora alvo de investigação da PF

Documento judicial revela que o Banco Master repassou ao menos R$ 3,6 bilhões em dívidas para fundos ligados à Reag, gestora suspeita de fraudes e lavagem de dinheiro.

Documento judicial aponta que o Banco Master transferiu R$ 3,6 bilhões em créditos para fundos da Reag, gestora investigada por fraude e lavagem de dinheiroFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
21 de julho de 202602:18
Atualizado há 8 horas às 05:18

O Banco Master transferiu ao menos R$ 3,6 bilhões em créditos de dívidas para fundos administrados pela Reag, gestora que está sob investigação da Polícia Federal. As suspeitas incluem fraudes bancárias e lavagem de dinheiro proveniente do setor de combustíveis, com possíveis vínculos com organizações criminosas.

O levantamento foi feito a partir de uma lista de 112 operações de crédito cedidas a terceiros, apresentada à Justiça pelo liquidante do Master. O documento integra um recurso movido por Henrique Vorcaro, pai do controlador do banco, Daniel Vorcaro, que busca reverter o bloqueio de seus bens.

De acordo com as investigações, a Reag teria estruturado fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica e inflar resultados, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro. Um dos alvos centrais da apuração é o fundador da gestora, João Carlos Mansur.

A suspeita dos investigadores é que as operações serviam para que o banco abrisse espaço para emitir novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e captar mais recursos. Nesse esquema, o banco emprestava dinheiro a empresas que aplicavam os valores em fundos, que por sua vez compravam os próprios empréstimos das empresas. Os valores não seriam cobrados, e o prejuízo recairia sobre os fundos.

A lista revela que diversas operações tiveram o contrato de empréstimo iniciado no mesmo dia em que a dívida foi repassada para o fundo. Por exemplo, seis operações somando R$ 130 milhões foram feitas com empresas do grupo Gafisa, que tem entre seus acionistas o investidor Nelson Tanure. No mesmo dia, esses créditos foram transferidos para o fundo Yvrac Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que tem participação do próprio Master.

O último informe trimestral do fundo Yvrac, elaborado pela Reag, afirmava que “os lastros apresentados estão em conformidade com a característica do fundo (Direitos Creditórios) e correspondem aos ativos refletidos na carteira”.

Além disso, o Master repassou R$ 357 milhões em créditos ao fundo Astralo 95, citado na Operação Carbono Oculto, que apura crimes envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC). Esse fundo faz parte da chamada “estrutura Frozen”, com nomes de personagens da animação “Frozen”, da Disney. As operações de crédito repassadas ao Astralo 95 foram contraídas por oito pessoas físicas e jurídicas entre 2022 e 2024.

O liquidante do Master também questiona uma transação em que o fundo Anna teria ganho R$ 200 milhões em menos de um dia: comprou cotas do fundo RSG pertencentes ao Astralo 95 por R$ 900 milhões e as revendeu ao fundo Máxima 2, controlado pelo Master, por R$ 1,1 bilhão.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/master-repassou-r-36-bilhoes-em-dividas-para-gestora-investigada

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