O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), declarou nesta quarta-feira (22) que o governo brasileiro não pretende retaliar os Estados Unidos após o anúncio de tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras. Durante evento em São Paulo, Alckmin afirmou que o objetivo é buscar um entendimento diplomático e evitar uma escalada comercial.
A declaração ocorre um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluir investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. As novas tarifas entraram em vigor na mesma data, afetando setores como siderurgia e aviação.
“Nós temos uma lei de reciprocidade, aprovada por unanimidade. Não tem retaliação. A ideia não é fazer retaliação, a ideia é buscar solução. A lei de reciprocidade é um instrumento importante que o governo tem para avaliar, adequar. [Está na mesa, então?] Está na mesa, mas esse não é o objetivo. O objetivo não é fazer guerra comercial, o objetivo é resolver o problema”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin também informou que negociações com o USTR estavam em andamento até a semana passada e que o governo pretende retomá-las. Ele criticou, sem citar nomes, a atuação de “maus brasileiros” que, segundo ele, levam informações equivocadas às autoridades americanas, prejudicando a economia nacional.
A fala foi interpretada como uma referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que participou de audiências sobre o tema nos EUA. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), saiu em defesa do senador, afirmando que ele não tem relação com a imposição das tarifas.
No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma medida provisória que destina R$ 18,5 bilhões para apoiar empresas afetadas pelas tarifas. O pacote abrange exportadores prejudicados, companhias impactadas pela Seção 232 da Trade Expansion Act e setores estratégicos.
O tarifaço dos EUA atinge produtos como aço, alumínio e carne bovina, gerando preocupação em cadeias produtivas brasileiras. Especialistas avaliam que, sem um acordo, o Brasil pode perder competitividade no mercado norte-americano, um dos principais destinos das exportações nacionais.
Enquanto isso, o governo brasileiro mantém a Lei de Reciprocidade como alternativa, mas Alckmin reiterou que a prioridade é o diálogo. “A ideia não é fazer retaliação, a ideia é buscar solução”, reforçou o vice-presidente, sinalizando que o Brasil não pretende adotar medidas unilaterais neste momento.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/alckmin-sobre-tarifaco-dos-eua-objetivo-e-resolver-o-problema


