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São Paulo

Conversas de operadores do PCC citam supostos pagamentos de propina a quatro delegacias de SP

Mensagens e áudios obtidos pelo Ministério Público indicam que integrantes do PCC negociavam pagamentos a unidades policiais para proteger esquema de lavagem de dinheiro.

Mensagens e áudios obtidos pelo Ministério Público indicam que integrantes do PCC negociavam pagamentos a unidades policiais para proteger esquema de lavagem de dinheiroFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
22 de julho de 202602:49
Atualizado agora há pouco às 05:49

Investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) aponta que ao menos quatro delegacias da capital paulista foram citadas em conversas de operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC). As mensagens sugerem o pagamento de propina para que o esquema de lavagem de dinheiro da facção não fosse descoberto.

As unidades mencionadas são o 13° Distrito Policial (Casa Verde), o 39° Distrito Policial (Vila Gustavo), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e uma Delegacia Seccional da zona norte. A informação consta em representação do MPSP que embasou a Operação Janus, deflagrada na manhã desta terça-feira (21/7).

A operação teve como alvo uma rede suspeita de operar um “banco paralelo” para ocultar e dar aparência legal a recursos oriundos do crime organizado. Até o momento, 11 pessoas foram presas.

De acordo com a investigação, Bruno Ramos Fernandes, apontado como um dos responsáveis por viabilizar o fluxo de valores, foi capturado. Em trocas de mensagens com Robson Martins de Souza, considerado figura central no esquema, os criminosos discutiram a necessidade de conseguir dinheiro vivo para pagar policiais do 13° e do 39° DPs, além de uma Seccional.

Para ocultar os valores reais, os suspeitos utilizavam um código que removia o último dígito dos montantes. Assim, mencionavam pagamentos de R$ 7,5 mil e R$ 15 mil às delegacias. Em outra conversa, Bruno Fernandes foi orientado a separar R$ 50 mil para “pagar a polícia”.

Áudios obtidos pela reportagem mostram Cléber Azevedo dos Santos, outra peça central do esquema, pedindo a liberação de R$ 100 mil para um “cliente” pagar o Deic. Em uma gravação destinada a Amjad Ahmad, Cléber relata um suposto pedido de policiais civis do setor de crimes cibernéticos do Deic: os agentes queriam “tomar 300 conto dele”.

“Oh, meu amigo, como é que cê tá? Tudo bom? Espero que esteja tudo bem. Deixa eu te fazer uma pergunta. Aquela vez que te ajudaram lá no Deic… eu tô com um problema lá. Caí num golpe que eu te falei lá. O cara colocou um dinheiro ruim na minha conta. Bloqueou 11 conto e tô com 5 pau bloqueado. Foi um golpe mesmo. Eu tenho as pessoas tenho tudo. Além de tudo os caras querem indiciar o Robson, e ainda querem tomar 300 conto dele”, afirmou Cleber na gravação.

Em outra conversa, Cleber enviou uma foto do interior do Deic ao doleiro Raphael Flores Rodrigues, conhecido como “Batata”. O doleiro ironizou: “É a fachada do banco aí. Isso aí não é delegacia, é banco. Só que só deposita, nunca saca”.

A investigação identificou um fluxo de pagamento de propinas, chamado de “despesas do Deic”, com divisão dos valores por meio de empresas de fachada e dinheiro vivo. A Operação Janus cumpre 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão, expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens. Cinco alvos estão foragidos.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre o assunto. O espaço segue aberto para manifestação.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mensagens-lista-propina-pcc-delegacias

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