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Mensagens indicam que PCC pagava propina em dinheiro vivo a policiais de SP

Investigação do MPSP aponta que operadores financeiros da facção utilizavam pagamentos em espécie para corromper autoridades e proteger esquema de lavagem de dinheiro.

Investigação do MPSP aponta que operadores financeiros do PCC pagavam propina em dinheiro vivo a policiais de SPFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
22 de julho de 202611:26
Atualizado agora há pouco às 14:26

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou que os supostos pagamentos de propina feitos a delegacias e policiais por operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) eram realizados, em sua maioria, em dinheiro vivo. A informação consta em representação do órgão e tem como base mensagens trocadas entre os suspeitos.

De acordo com a investigação, a preferência por dinheiro em espécie visava evitar transferências bancárias que pudessem deixar rastros sistêmicos. As conversas indicam que os valores eram destinados a comprar o silêncio de autoridades e proteger um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa.

Entre as unidades policiais citadas como supostas receptoras da propina estão o 13° Distrito Policial (Casa Verde), o 39° Distrito Policial (Vila Gustavo), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e uma Delegacia Seccional da zona norte da capital paulista.

Na terça-feira (21), o MPSP deflagrou a Operação Janus para desarticular um “banco paralelo” operado por criminosos. Até o momento, 11 suspeitos foram presos. A ação cumpre 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão, expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens.

Bruno Ramos Fernandes, apontado como um dos responsáveis por viabilizar o fluxo de valores do esquema, foi um dos capturados. Em conversa com Robson Martins de Souza, figura central na organização, os criminosos discutiram a necessidade de obter dinheiro vivo para pagar policiais do 13° e do 39° DPs, além da Seccional da zona norte.

Os investigados utilizavam um código para ocultar as quantias reais, removendo o último dígito dos valores. Assim, mencionavam pagamentos de R$ 7,5 mil e R$ 15 mil às delegacias. Em uma mensagem, Robson Martins afirma que um pagamento de R$ 15 mil deveria ser feito “todo mês” para a Seccional.

Em outra conversa, com Cléber Azevedo dos Santos, Bruno Fernandes foi orientado a separar R$ 50 mil para “pagar a polícia”, conforme documento do MPSP. Áudios obtidos pela reportagem mostram Cléber pedindo a liberação de R$ 100 mil para um “cliente” do crime organizado pagar o Deic.

“Oh, meu amigo, como é que cê tá? Tudo bom? Espero que esteja tudo bem. Deixa eu te fazer uma pergunta. Aquela vez que te ajudaram lá no Deic… eu tô com um problema lá. Caí num golpe que eu te falei lá. O cara colocou um dinheiro ruim na minha conta. Bloqueou 11 conto e tô com 5 pau bloqueado. Foi um golpe mesmo. Eu tenho as pessoas, tenho tudo. Além de tudo os caras querem indiciar o Robson, e ainda querem tomar 300 conto dele”, afirmou Cléber em gravação.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi procurada, mas ainda não se pronunciou sobre o assunto. O espaço segue aberto para manifestação.

A Operação Janus investiga a atuação de operadores financeiros em benefício do PCC. Os alvos são suspeitos de movimentar recursos, converter dinheiro em espécie em transferências bancárias e ocultar valores atribuídos à facção. Segundo as autoridades, os investigados recebiam dinheiro ilícito e devolviam os valores por meio de transferências eletrônicas de pessoas jurídicas, camuflando a origem criminosa.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/propina-pcc-policiais-sp-paga-especie

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