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São Paulo

Indicação de suplente de Marina Silva causa atrito na coligação de Haddad em SP

A escolha do vereador Djalma Nery (PSol) como primeiro suplente de Marina Silva ao Senado desagradou o PDT, que ameaça romper a aliança com Haddad.

A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede). Instagram/@marinasilvaoficial
Raphael Nogueira Felix
28 de julho de 202602:29
Atualizado agora há pouco às 05:29

A indicação do vereador Djalma Nery (PSol) para a primeira suplência da candidatura de Marina Silva (Rede) ao Senado causou mal-estar na coligação que apoia Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. A decisão foi oficializada durante a convenção da federação PSol-Rede no último domingo (26/7), após um evento marcado por tensões.

Nery, de 38 anos, é o vereador mais votado em São Carlos nas últimas duas eleições e teve seu nome confirmado apesar das divergências internas. A federação também ratificou o apoio a Haddad, mas a escolha do suplente gerou reações imediatas entre os aliados.

O posto é cobiçado porque, caso Lula seja reeleito presidente, Marina é cotada para integrar o ministério, o que abriria caminho para o suplente assumir o mandato de oito anos no Senado. Esse cenário torna a suplência uma vaga de fato no Legislativo federal.

O PDT, que já havia oficializado apoio a Haddad, é o principal insatisfeito. A legenda alega ter um compromisso firmado com Lula para ficar com uma das suplências e reivindica o espaço. Para a vaga de Marina, o partido havia indicado o sindicalista Antonio Neto. Caso não seja contemplado, o PDT ameaça lançar candidatura própria ao Senado, o que poderia rachar a coligação.

Além da suplência de Marina, há outras vagas em jogo. Para a candidatura de Simone Tebet (PSB) ao Senado, o PDT sugeriu o ex-prefeito de Araraquara Marcelo Barbieri. No entanto, a suplência de Tebet deve ficar com o advogado Laio Morais (PT), ex-chefe de gabinete de Haddad. O PSB já conta com Márcio França na vice-governadoria.

Lideranças do PDT argumentam que o partido tem maior representação no estado do que PSol e PSB, além de mais vereadores.

"Não faria sentido ficarmos de fora da partilha", disse uma liderança do PDT sob reserva.

A legenda calcula que, com uma candidatura própria ao Senado, teria mais tempo de televisão que Marina e Tebet.

Internamente, o PSol também vive divisões. A ala mais próxima do PT, representada por Guilherme Boulos e Érika Hilton, teria defendido a indicação de Antonio Neto para evitar o racha. Já setores menos alinhados aos petistas acreditam que esse grupo pode deixar o partido após as eleições.

A convenção da federação PSol-Rede ocorreu em meio a incertezas e só definiu o nome de Nery após longas negociações. O desfecho ampliou a tensão entre os partidos da coligação, que precisam manter a unidade para enfrentar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas urnas.

A situação expõe as dificuldades de costura política na maior coligação de oposição em São Paulo. Com prazos apertados e interesses divergentes, a aliança em torno de Haddad busca evitar que a disputa por cargos comprometa a viabilidade eleitoral.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/indicacao-a-suplencia-de-marina-gera-mal-estar-em-coligacao-de-haddad

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