Os três postulantes da direita ao Senado por São Paulo – André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo) – articulam uma ofensiva comum para tentar desgastar as líderes das pesquisas, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). A estratégia central é enfatizar que ambas não nasceram no estado, na tentativa de questionar sua representatividade junto ao eleitorado paulista.
A tática já foi testada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que recentemente usou o mesmo argumento, mas acabou alvo de críticas. Tarcísio, que é carioca, tentou explorar a origem das candidatas, mas a manobra não surtiu o efeito esperado. Em resposta, Tebet rebateu de forma direta: “Sou corintiana, não flamenguista”, disse a senadora, em referência à sua identificação com o time paulista.
Os ataques não são aleatórios. Dados internos dos partidos e levantamentos públicos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram Tebet e Marina à frente nas intenções de voto. Na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada em julho, Marina Silva aparece tecnicamente empatada com Simone Tebet na liderança. Ricardo Salles, André do Prado e Guilherme Derrite vêm na sequência, também empatados dentro da margem de erro.
Para tentar reverter o cenário, a direita planeja levar o debate sobre o enraizamento local para os programas de TV e os confrontos diretos. O trio deve explorar a ausência de vínculos históricos das adversárias com o estado, argumentando que isso comprometeria a defesa dos interesses paulistas no Senado. A expectativa é que o tema ganhe destaque nos próximos debates.
Além da resistência da direita, Tebet e Marina enfrentam turbulências na própria base aliada. A definição das suplências gerou mal-estar na coligação do candidato a governador Fernando Haddad (PT). A indicação do vereador Djalma Nery (PSol) para a primeira suplência de Marina desagradou o PDT, que ameaçou lançar candidatura própria caso não haja acordo. Já a vaga de Tebet foi preenchida pelo advogado Laio Morais (PT), ex-chefe de gabinete de Haddad na Fazenda.
A disputa pelas vagas de suplência ganhou contornos estratégicos neste ano porque, se eleitas, as senadoras podem ser convidadas a integrar um eventual ministério de Lula. Isso eleva o valor das cadeiras e acirra a briga interna entre os partidos de esquerda. Enquanto isso, o Instituto Quaest deve divulgar nova rodada de pesquisas para São Paulo, que podem confirmar ou alterar o cenário atual.
Para o eleitor paulista, a origem dos candidatos é um fator que pode pesar na decisão. No entanto, especialistas apontam que a eficácia do argumento é limitada, especialmente quando confrontado com a trajetória política nacional das duas ex-ministras. Tebet e Marina possuem extensa atuação em cargos federais e são conhecidas nacionalmente, o que pode neutralizar a crítica regional.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/senado-direita-tebet-marina

