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Vinhedo

Herdeiro da VoePass é indiciado pela PF por queda de avião que matou 62 pessoas

José Luiz Felício Filho, atual presidente da VoePass, foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito que investiga o acidente aéreo de Vinhedo, ocorrido em agosto de 2024.

José Luiz Felício FilhoFoto: Divulgação/VoePass
Raphael Nogueira Felix
6 de agosto de 202615:57
Atualizado agora há pouco às 18:57

A Polícia Federal indiciou nesta quinta-feira (6/8) o empresário José Luiz Felício Filho, presidente da VoePass, no âmbito do inquérito que apura as responsabilidades criminais pela queda do voo 2283, ocorrido em Vinhedo, no interior de São Paulo. O acidente, registrado em agosto de 2024, resultou na morte de 62 pessoas.

Segundo a investigação, Felício Filho integrava a cadeia de decisões da companhia aérea, que, de acordo com a PF, apresentou falhas de gestão, manutenção e segurança que contribuíram para a tragédia. O indiciamento ocorre após a divulgação do relatório final da Polícia Federal, que apontou uma série de problemas operacionais e de supervisão.

O empresário assumiu o comando da VoePass em outubro de 2023, após o falecimento de seu pai, José Luiz Felício, fundador da antiga Passaredo Linhas Aéreas. A empresa, criada em Ribeirão Preto em 1995, passou por um processo de rebranding em 2019, adotando o nome VoePass, e expandiu suas operações com a aquisição da MAP Linhas Aéreas e uma parceria comercial com a LATAM, que foi encerrada após o acidente.

Natural de Mococa, também no interior paulista, José Luiz Felício Filho já fazia parte da administração da empresa familiar antes de se tornar presidente. Ele também é associado da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) e participa de reuniões com representantes do governo para discutir temas do setor aéreo.

A trajetória do empresário, no entanto, já havia passado por turbulências jurídicas. Em 2017, a frustrada venda da companhia ao Grupo Itapemirim levou o Ministério Público de São Paulo a investigar suspeitas de apropriação indébita e lavagem de dinheiro. As investigações foram arquivadas em fevereiro de 2024, por falta de provas, e a Promotoria concluiu que Felício Filho e sua esposa foram vítimas das irregularidades praticadas pelos antigos controladores da Itapemirim.

Após o desastre de Vinhedo, a situação da VoePass se deteriorou rapidamente. As investigações do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontaram uma sequência de falhas técnicas, operacionais e de gestão. Auditorias da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) identificaram problemas estruturais que levaram à suspensão das operações e, posteriormente, à cassação do certificado da companhia.

O acidente, que chocou o país, ocorreu quando o avião, que partiu de Cascavel com destino a Guarulhos, caiu em um condomínio residencial em Vinhedo. As 62 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, não sobreviveram. As causas apontadas pela PF incluem acúmulo de gelo nas asas e falhas no sistema de degelo, além de erros operacionais dos pilotos.

A defesa de José Luiz Felício Filho ainda não se manifestou publicamente sobre o indiciamento. A VoePass, por sua vez, informou que colabora com as investigações e que está à disposição das autoridades para esclarecimentos.

O caso segue em análise na Justiça Federal, e o indiciamento não implica, necessariamente, em condenação. Cabe ao Ministério Público Federal decidir se apresentará denúncia formal contra os envolvidos. A expectativa é de que novas etapas do processo ocorram nos próximos meses.

A queda do voo 2283 é considerada um dos maiores acidentes aéreos da aviação brasileira nos últimos anos. Familiares das vítimas acompanham de perto o desenrolar das investigações e cobram punição aos responsáveis.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/quem-e-o-dono-da-voepass-indiciado-pela-pf-por-desastre-aereo-com-62-mortos

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