UrgenteLaudo da PF revela que piloto comparou avião da Voepass a um Fusca antes de queda
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Vinhedo

Laudo da PF revela que piloto comparou avião da Voepass a um Fusca antes de queda

Investigação aponta que acúmulo de gelo e falhas no sistema de degelo contribuíram para o acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo.

Piloto comparou avião da Voepass a “fusquinha” antes de queda. Piloto comparou avião da Voepass a “fusquinha” antes de queda
Raphael Nogueira Felix
6 de agosto de 202614:20
Atualizado agora há pouco às 17:20

A Polícia Federal apresentou nesta quinta-feira (6/8) o laudo sobre o acidente com o avião da Voepass, ocorrido em agosto de 2024, que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo. O documento, obtido pelo Metrópoles, traz transcrições das conversas entre o piloto e o copiloto nos momentos que antecederam a queda.

De acordo com a investigação, o acúmulo de gelo nas asas da aeronave foi um dos fatores determinantes para a tragédia. As condições meteorológicas adversas, com frente fria ativa e ar úmido, favoreceram a formação severa de gelo, e os sistemas anti-gelo apresentaram falhas.

As conversas registradas na cabine mostram que a tripulação estava ciente dos problemas. Às 15h15, um alerta sonoro indicou falha no sistema de degelo. O piloto teria dito: «É o Airframe que deu fault. Pode tirar, pode tirar, pelo menos a gente já sabe que tá… f*dido».

No minuto seguinte, outro sinal sonoro indicou acúmulo de gelo na aeronave. O piloto então comparou o avião a um Fusca: «Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie. Um filme bem antigo».

Cerca de uma hora depois, às 16h20, a tripulação iniciou os procedimentos de pouso, mas o sistema de degelo continuava com problemas. «Essa bosta não tá funcionando, né?», questionou o piloto, recebendo a concordância do copiloto.

O último registro na cabine foi um alerta de pull-up, comando de voz crítico emitido pelo sistema de aviso de proximidade do solo, às 16h22. A aeronave não respondeu mais às chamadas do controle de aproximação de São Paulo.

O laudo da PF conclui que a operação deveria ter sido interrompida, pois a indisponibilidade do sistema de degelo deveria vedar o voo naquelas condições. No entanto, a investigação ressalta que não é possível afirmar se o funcionamento adequado do equipamento seria suficiente para evitar o sinistro.

Os peritos também apontam que a tripulação, apesar dos alertas, não executou os procedimentos previstos. A sequência de eventos mostra que a tripulação manteve seu foco em tarefas da cabine, comunicação com o despacho em Guarulhos e preparação para a aproximação, alheios aos alertas.

A PF destaca que os pilotos eram habilitados e que não é possível determinar a razão da não execução dos procedimentos. O caso segue em investigação, e o laudo foi encaminhado à Justiça Federal.

O acidente, ocorrido em 9 de agosto de 2024, chocou o país. O avião, que saiu de Cascavel com destino a Guarulhos, caiu em um condomínio em Vinhedo, matando todos os ocupantes. As causas continuam sendo apuradas, e a Voepass ainda não se manifestou sobre o laudo.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/piloto-aviao-voepass-fusquinha-queda

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