A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre o acidente com o voo 2283 da Voepass, ocorrido em agosto de 2024, e indiciou 16 pessoas ligadas à companhia. O relatório foi apresentado nesta quinta-feira (6/8) e aponta falhas graves na manutenção e na operação da aeronave, que caiu em um condomínio em Vinhedo, interior de São Paulo, matando 62 pessoas.
Para Fátima Alburquerque, presidente da associação de familiares das vítimas e mãe da médica Arianne Risso, o documento confirma o que os parentes sempre disseram: a empresa tinha conhecimento dos riscos. «Eram profissionais preparados sabotando uma fiscalização, fazendo gambiarra numa aeronave que poderia matar. Todos sabiam que aquela aeronave uma hora ia cair», afirmou. Ela classificou a tragédia como resultado de «ganância».
A investigação apontou que a aeronave enfrentou condições meteorológicas adversas, com formação severa de gelo, e que os sistemas anti-gelo apresentaram falhas no dia do acidente e nos três voos anteriores. Os investigadores concluíram que diferentes tripulações não seguiram uma determinação técnica sobre a reinicialização do sistema de degelo, e que a indisponibilidade do equipamento deveria impedir a operação naquelas condições.
Segundo o relatório, havia uma «cultura organizacional de não-reporte» na empresa, que se estendia por todas as cadeias de comando. O delegado André Ribeiro, chefe da Delegacia da Polícia Federal em Campinas, destacou que a omissão era uma prática implementada na companhia.
Os indiciados responderão pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo, sinistro aéreo com resultado morte e falsidade ideológica. A PF não descarta que o funcionamento adequado do sistema de degelo pudesse evitar o acidente, mas ressalta que não é possível afirmar com certeza.
Adriana Ibba, mãe de Liz, de 3 anos, a vítima mais jovem da tragédia, disse ter recebido a notícia do indiciamento com um sentimento de vitória. «Enquanto consumidor, ninguém fazia ideia de que eles fingiam fazer a manutenção devida e colocavam gente em voos lotados. É o início de uma longa caminhada e nós vamos até o fim por justiça por eles», descreveu.
Em nota, a Voepass afirmou ter adotado rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e capacitação de tripulações previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ao longo de sua atuação. A empresa também disse que os treinamentos de pilotos contemplavam os procedimentos previstos para o enfrentamento de condições adversas.
O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando o avião que saiu de Cascavel com destino a Guarulhos caiu em uma área residencial em Vinhedo. As 62 pessoas a bordo morreram, incluindo crianças e adultos. A partir das 13h21, a aeronave não respondeu às chamadas do Controle de Aproximação de São Paulo.
Os familiares das vítimas prometem acompanhar o desenrolar do processo judicial. Eles esperam que as investigações levem à responsabilização dos envolvidos e a mudanças na fiscalização aérea para evitar novas tragédias. A associação de parentes se mantém à disposição para apoiar as famílias durante todo o processo.
O caso segue agora para a análise da Justiça Federal, que decidirá sobre a aceitação da denúncia e a eventual abertura de ação penal contra os indiciados. A sociedade aguarda que as responsabilidades sejam apuradas e que medidas sejam tomadas para garantir a segurança nos voos comerciais.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/todos-sabiam-que-a-aeronave-ia-cair-diz-mae-de-vitima-da-voepass

