A Polícia Federal apresentou, nesta quinta-feira (6/8), o relatório final do inquérito que investigou as circunstâncias do acidente com o avião da Voepass, ocorrido em agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo. O documento aponta que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já havia identificado irregularidades na aeronave antes da queda, que matou 62 pessoas.
De acordo com a PF, as informações sobre a atuação da agência reguladora foram encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) para que sejam apurados possíveis atos de improbidade administrativa por parte de integrantes da Anac. A corporação também vai remeter cópia dos autos à Corregedoria Regional da PF em São Paulo para avaliar a ocorrência de prevaricação ou corrupção.
O relatório do Cenipa, órgão responsável pela investigação de acidentes aeronáuticos, já havia apontado fiscalização insuficiente da Anac. Segundo o documento, a Voepass apresentava deficiências no controle de manutenção, na comunicação de falhas e na supervisão técnica das aeronaves, problemas identificados pela agência em inspeções feitas entre janeiro de 2022 e agosto de 2024.
Apesar das falhas apontadas, a empresa continuou operando. A PF destacou que o voo ocorreu em condições meteorológicas adversas, com frente fria ativa e formação severa de gelo, e que os sistemas anti-gelo da aeronave registraram falhas no dia do acidente e nos três voos anteriores.
A investigação concluiu que diferentes tripulações não seguiram uma determinação técnica sobre a reinicialização do sistema de degelo. Segundo os peritos, a indisponibilidade do equipamento deveria impedir a operação da aeronave naquelas condições, mas a orientação não foi cumprida.
Procurada pela reportagem, a Anac afirmou que ainda não foi oficialmente notificada sobre as questões relacionadas a supostos atos de improbidade administrativa de seus servidores. A agência disse que aguarda a comunicação formal para se manifestar.
No total, 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass foram indiciados por crimes como atentado contra a segurança do transporte aéreo, sinistro aéreo com resultado morte e falsidade ideológica. A PF também ressaltou que não é possível afirmar se o funcionamento adequado do sistema de degelo seria suficiente para evitar o sinistro.
O acidente ocorreu quando o avião, que saiu de Cascavel com destino a Guarulhos, caiu em um condomínio em Vinhedo, matando todos os ocupantes. A partir das 13h21, a aeronave não respondeu às chamadas do Controle de Aproximação de São Paulo.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/voepass-pf-quer-apuracao-sobre-possivel-corrupcao-por-membros-da-anac

