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Vinhedo

PF conclui investigação e indicia 16 envolvidos na queda de avião da Voepass em Vinhedo

A Polícia Federal indiciou 16 pessoas ligadas à Voepass pelo acidente aéreo que matou 62 pessoas em Vinhedo, interior de São Paulo, em agosto de 2024. Entre os indiciados estão pilotos, diretores e o presidente da empresa.

Retirada dos destroços do avião em Vinhedo (SP). Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
6 de agosto de 202618:17
Atualizado agora há pouco às 21:17

A Polícia Federal (PF) concluiu as investigações sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo, ocorrida em 9 de agosto de 2024, e indiciou 16 pessoas ligadas à empresa. Os nomes foram divulgados em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (6/8), quando também foi apresentado o relatório da perícia do acidente.

Entre os indiciados estão pilotos, despachantes, gerentes, diretores e um mecânico, além do presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho. Todos foram responsabilizados pela PF, em diferentes aspectos, pelas falhas que teriam contribuído para a tragédia, que resultou na morte de 62 pessoas.

O presidente da companhia, José Luiz Felício Filho, que assumiu o cargo em outubro de 2023 após a morte do pai, foi indiciado por atentado contra a segurança do transporte aéreo, por três vezes, e por sinistro aéreo com resultado de morte. Segundo a investigação, ele integrava a cadeia de decisões da empresa apontada pela PF como responsável por falhas de gestão, manutenção e segurança.

Antes de presidir a Voepass, Felício Filho já fazia parte da administração da empresa familiar, que passou por um rebranding em 2019, quando a antiga Passaredo adotou o nome atual. A companhia também se expandiu com a compra da MAP Linhas Aéreas e uma parceria comercial com a LATAM, encerrada após o acidente.

O diretor de segurança operacional, David da Costa Faria Neto, também foi indiciado pelos mesmos crimes. A PF aponta que a estrutura de segurança operacional sob sua responsabilidade apresentava deficiências sistêmicas, como o gerenciamento ineficaz de Relatos de Segurança de Voo. Cabia a essa estrutura identificar, investigar e corrigir falhas recorrentes que, segundo a polícia, culminaram na queda da aeronave.

Já o diretor técnico, Cônsoli, era o destinatário direto de comunicações formais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre não conformidades do avião acidentado, o que, para a PF, evidencia que ele tinha ciência das falhas técnicas que antecederam o desastre. A polícia também destacou que a finalidade das omissões seria permitir a continuidade dos ganhos econômicos da empresa.

O diretor de manutenção, Costa, foi indiciado pelos mesmos crimes. Segundo o relatório da PF, sua diretoria mantinha um padrão institucionalizado de deficiências, incluindo gerenciamento ineficaz de relatórios não investigados e descumprimento reiterado dos manuais de supervisão da própria empresa.

A PF não detalhou individualmente a participação de cada indiciado, mas o relatório completo da investigação deve ser encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre possíveis denúncias. A Voepass ainda não se manifestou oficialmente sobre os indiciamentos.

O acidente com o avião da Voepass, que caiu em uma área residencial de Vinhedo, chocou o país e levantou questionamentos sobre a segurança aérea no Brasil. As investigações da PF e da Anac buscam esclarecer as causas da queda e responsabilizar os envolvidos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/voepass-quem-sao-os-16-indiciados-pela-pf-por-queda-de-aviao-em-sp

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