A Polícia Federal concluiu que o acidente com o voo PTB-2283, da Voepass, em Vinhedo, no interior de São Paulo, foi causado pelo acúmulo de gelo na aeronave e por falhas operacionais da tripulação. O laudo pericial, com 200 páginas, será apresentado nesta quinta-feira (6/8) e detalha as circunstâncias da queda que matou 62 pessoas em agosto de 2024.
Segundo o documento, ao qual a reportagem teve acesso, a análise combinou dados das caixas-pretas, computadores de bordo, registros meteorológicos, vídeos de testemunhas e exames no local do acidente. A investigação também avaliou o treinamento dos pilotos, os protocolos adotados e o histórico de manutenção da aeronave.
O voo partiu do Aeroporto Coronel Adalberto Mendes da Silva, em Cascavel (PR), às 11h58 do dia 9 de agosto de 2024, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A bordo estavam 58 passageiros e quatro tripulantes. A aeronave era comandada pelo piloto Danilo Romano, de 35 anos, e pelo copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva, de 61 anos.
Os passageiros haviam comprado passagens pela Latam, que comercializava os voos da Voepass. Segundo relatos de familiares, alguns não sabiam que viajariam pela empresa. O voo transcorreu aparentemente sem problemas até pouco antes da queda.
Três minutos antes do acidente, os pilotos comunicaram à torre de comando em São Paulo que estavam no ponto ideal para iniciar a descida rumo a Guarulhos. Às 13h21, porém, a aeronave começou a perder altitude repentinamente. Um minuto depois, o avião caiu no condomínio Residencial Recanto Florido, em Vinhedo.
O acidente resultou em 62 mortes, sem sobreviventes. Ninguém no solo ficou ferido. A perícia apontou que o gelo se acumulou nas asas e em outras superfícies, comprometendo a sustentação da aeronave, enquanto falhas na operação da tripulação agravaram a situação.
A divulgação do laudo ocorre após meses de investigação, que incluiu simulações e análises técnicas. O relatório reforça a necessidade de revisão de procedimentos de segurança em condições meteorológicas adversas.
O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades e pelas famílias das vítimas, que aguardam desdobramentos judiciais. A Voepass e a Latam ainda não se manifestaram sobre o conteúdo do laudo.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/gelo-erros-causas-acidente-da-voepass

