A Polícia Federal concluiu a investigação sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo, ocorrida em agosto de 2024. O relatório final aponta que o comandante Danilo Romano foi promovido sem cumprir uma exigência interna da companhia aérea.
De acordo com o documento, o regulamento da Voepass estabelecia mil horas de voo em aeronaves ATR como pré-requisito para a promoção ao posto de comandante. No entanto, Romano teria assumido a função sem ter voado anteriormente nesse modelo de aeronave.
Antes de ingressar na Voepass, Romano havia atuado na Avianca, onde operava aviões da família Airbus. A investigação indica que ele não possuía experiência prévia no ATR, o que contrariava as normas previstas no Regulamento de Procedimentos Operacionais da empresa.
O comandante Marcelo Mantovani, que também atuava na Voepass, afirmou à PF que ele e outros pilotos promovidos no mesmo período tinham experiência em jatos, mas não no ATR. Segundo Mantovani, a ascensão de Romano foi diretamente contrária ao regulamento.
A promoção teria ocorrido sob a gestão de Rafael Gimenez Rodrigues, então piloto-chefe e responsável pela área de treinamento. De acordo com a PF, Gimenez acumulava a definição dos critérios para promoção e habilitação de comandantes, e Mantovani atribuiu a ele a responsabilidade pela ascensão antecipada de Romano.
O comandante Luiz Cláudio de Almeida reforçou a versão em depoimento. Ele relatou que Romano teria mencionado que sua rápida chegada ao comando se deveu à proximidade com integrantes da chefia e a uma relação de amizade e favores. O relato descreve que, após ser questionado sobre a validade do passaporte, Romano foi convidado a assumir o comando e encaminhado ao treinamento no simulador.
Para a Polícia Federal, a falta de experiência específica no ATR teve relevância na condução do voo 2283. O relatório afirma que a promoção colocou um profissional inexperiente no comando de uma aeronave comercial e relaciona a ascensão rápida à suposta cooptação de Romano pelos interesses da gestão, especialmente para que falhas no sistema de degelo não fossem registradas.
A investigação aponta que a promoção não foi apenas antecipada, mas ocorreu em desacordo com uma exigência objetiva do regulamento interno da Voepass: as mil horas de experiência no ATR. O relatório também registra que a rápida ascensão teria sido usada como vantagem para obter a adesão do comandante às práticas de omissão de falhas adotadas dentro da companhia.
O acidente com o voo 2283 resultou na morte de 62 pessoas. As investigações seguem em andamento, e a Voepass ainda não se manifestou publicamente sobre o conteúdo do relatório da PF.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/voepass-comandante-do-voo-foi-promovido-sem-experiencia-diz-pf

