O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entra no primeiro debate do segundo turno, neste domingo (9/8), com um cenário eleitoral que mistura desafios e oportunidades. Levantamento feito pelo Metrópoles, com base em pesquisas Datafolha, mostra que o atual governador tem menos pontos do que Geraldo Alckmin (ex-PSDB) tinha em 2014, quando foi reeleito, mas está em situação mais confortável do que Mário Covas (PSDB) em 1998, ano em que também conquistou um novo mandato.
A pesquisa Datafolha de julho de 2026 aponta Tarcísio com 46% das intenções de voto, contra 55% de Alckmin no mesmo período de 2014. A vantagem do atual governador sobre o segundo colocado, Fernando Haddad (PT), é de 16 pontos percentuais, enquanto Alckmin abria 39 pontos de diferença para Paulo Skaf (MDB) na época. A distância menor em relação ao adversário direto dá a Tarcísio menos “gordura para queimar”, como avalia um marqueteiro ouvido pelo Metrópoles, mas o cenário atual tem outras características que podem favorecê-lo.
Diferentemente de 2014, quando Alckmin disputava votos com Skaf no campo do centro e da direita, Tarcísio não enfrenta, até o momento, candidatos à sua direita. O levantamento de julho de 2026 mostra apenas postulantes à esquerda do governador, como Haddad, Vera Lúcia (PSTU), Vivian Mendes (UP) e Carlos Machado (PCB). O partido Missão, ligado ao MBL, ainda não definiu se lançará um nome para o governo paulista, o que poderia dividir o eleitorado mais conservador.
A situação mais delicada entre os governadores que buscaram a reeleição em São Paulo foi a de Mário Covas, em 1998. Naquele ano, o tucano chegou ao primeiro debate em terceiro lugar nas pesquisas, com uma diferença pequena para Marta Suplicy (PT), que aparecia em quarto. Francisco Rossi (PDT) liderava as sondagens, seguido de perto por Paulo Maluf (PPB). Covas estava tecnicamente empatado com Marta, no limite da margem de erro, mas conseguiu reverter o quadro e chegar ao segundo turno, vencendo a disputa.
O primeiro debate entre Tarcísio e Haddad será realizado pela Band, a partir das 20h, e terá regras que impedem os candidatos de pedir votos, já que a campanha oficial começa apenas em 16 de agosto. O confronto é visto como uma oportunidade para os dois lados apresentarem propostas e tentarem reduzir ou ampliar a diferença nas pesquisas.
Especialistas ouvidos pelo Metrópoles destacam que a vantagem de Tarcísio, embora menor do que a de Alckmin em 2014, é significativa e o coloca em posição de vantagem. No entanto, a dinâmica da campanha pode mudar com os debates e a propaganda eleitoral obrigatória. A história eleitoral de São Paulo mostra que pesquisas antes do primeiro debate nem sempre refletem o resultado final, como no caso de Covas em 1998, que começou atrás e venceu.
O levantamento não incluiu Márcio França (PSB), que assumiu o governo em 2018 após a renúncia de Alckmin para disputar a Presidência, pois ele não havia sido eleito para o cargo. A comparação, portanto, limita-se aos casos em que o governador em exercício disputava um novo mandato após ter sido eleito pelo voto direto.
O debate deste domingo será o primeiro de uma série de encontros entre os candidatos. A expectativa é que os temas de segurança, saúde e economia dominem as discussões, refletindo as preocupações do eleitorado paulista. Tarcísio deve defender sua gestão e apresentar propostas para um eventual novo mandato, enquanto Haddad tentará explorar pontos fracos da administração estadual.
Com a vantagem atual, Tarcísio pode adotar uma postura mais cautelosa, evitando erros que possam reduzir sua dianteira. Já Haddad precisa de uma virada e deve buscar o confronto direto. O resultado do debate pode influenciar a reta final da campanha, que promete ser acirrada até a votação.
A pesquisa Datafolha de julho de 2026 foi realizada antes do início oficial da campanha e pode não refletir o impacto dos debates e da propaganda eleitoral. Novos levantamentos devem ser divulgados nas próximas semanas, mostrando se a vantagem de Tarcísio se mantém ou se Haddad consegue reduzir a diferença.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/tarcisio-debate-alckmin-2014-covas-1998

