Uma perseguição policial ocorrida em maio do ano passado, em Campinas, no interior de São Paulo, resultou em uma morte e uma prisão em flagrante. O caso, no entanto, gerou dois processos com andamentos bastante desiguais: enquanto o suspeito preso já tem data para ser julgado pelo Tribunal do Júri, os policiais militares envolvidos na morte do outro ocupante do veículo seguem sem acusação formal.
De acordo com informações apuradas, o inquérito que investiga a conduta dos três policiais militares está há 15 meses no 9º Distrito Policial de Campinas, sem conclusão. A demora ocorre mesmo com sucessivos pedidos de prorrogação de prazo feitos pela autoridade policial, que aguarda a finalização de laudos periciais e a análise de imagens de câmeras de segurança.
Os policiais identificados como soldado Edison Mozart Moura, cabo Steferson Caetano de Souza e 3º sargento Wilson Domingos Fontes Silva são alvos do inquérito que apura as circunstâncias da morte de Samuel Henrique da Silva Cruz, de 20 anos. Samuel foi baleado durante a perseguição e morreu cinco dias depois em um hospital.
Enquanto isso, o outro envolvido, Nadyson Henrique Martins Stein, de 21 anos, foi indiciado e já responde a processo por tentativa de homicídio contra os policiais. O inquérito contra ele foi concluído apenas dois dias após a ocorrência, em 26 de maio do ano passado, e o caso foi encaminhado à Justiça.
A diferença na celeridade dos procedimentos chama a atenção, já que ambos os casos têm origem no mesmo episódio. O suspeito preso em flagrante, Nadyson, é acusado de ter atirado contra os policiais durante a fuga. Ele nega a acusação e afirma que não efetuou disparos.
A perícia realizada no local indicou que 13 das 14 perfurações encontradas no vidro da viatura policial partiram dos próprios PMs. Esse dado é apontado pela defesa de Nadyson como um elemento que reforça a tese de que ele não atirou contra os agentes.
O caso ganhou contornos de disputa judicial, com a defesa do réu civil questionando a disparidade no tratamento entre os investigados. A defesa argumenta que a demora na conclusão do inquérito contra os policiais não encontra justificativa plausível, especialmente diante da rapidez com que o processo contra o jovem foi conduzido.
A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) para esclarecer a diferença no ritmo das investigações, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
O julgamento de Nadyson está marcado para o dia 3 de setembro, no Tribunal do Júri de Campinas. Ele permanece preso preventivamente desde a época da ocorrência, no Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade.
O desfecho do caso dependerá da conclusão do inquérito policial que investiga os PMs, que segue em andamento. A expectativa é de que os laudos periciais e as imagens de câmeras de segurança possam esclarecer as circunstâncias da morte de Samuel e a conduta dos agentes durante a perseguição.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/acusado-juri-pms-inquerito

